Brasil, 17 de maio de 2012
sylviaromano@uol.com.br
Sylvia Romano formou-se em 1972, em Ciências Jurídicas, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Direito do Trabalho, além de ser responsável por artigos e pareceres publicados nos mais renomados jornais e revistas do País, profere regularmente mesas redondas, seminários, palestras e cursos no Brasil e no exterior, visando esclarecer, atualizar e orientar o empresariado sobre as mais variadas e polêmicas questões trabalhistas. Foi responsável pela implantação na Bayer S/A da isenção e não-marcação de horário. Sua ação de abolir cartões de ponto e implantar a vanguarda na flexibilização repercutiu em mais de cem empresas multinacionais, que seguiram a instauração da flexibilização do Direito do Trabalho. Membro do Conselho Federal da OAB, foi pioneira na implantação de cooperativa, dentre as quais, "Staroup", "CPM" (Serviço de Inteligência da Informática de Bancos). Autora do mais recente livro: "A Morte da Justiça do Trabalho – Comissões de Conciliação", editora Minelli, e responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.
Dias atrás, levei um grande susto ao assistir a um telejornal no qual o nosso primeiro mandatário mais uma vez fazia os seus costumeiros e irrelevantes discursos, que só são aplaudidos pela "corte" da sua comitiva. Durante um embate com estudantes usando nariz de palhaço — embate este equiparável a briga de cortiço, no qual sua dantesca figura respondia aos estudantes em nível muito pouco apropriado para o cargo que ocupa — e após muita lengalenga defendendo os palhaços e o circo, nosso presidente resolveu atacar "aszelites" com a seguinte pérola de sua lavra intelectual: "Aszelites ficam gritando contra o bolsa-família, a grande obra do meu governo, mas não falam nada contra as bolsas de estudos de até US$ 2 mil que o governo paga a bolsistas para pesquisas e estudos no exterior."
Diante desta afirmação, tenho a certeza que o grande objetivo do atual governo é governar para um povo no qual o beócio e o ignorante venham a ser a grande parte da população. Até porque um povo sem cultura e educação é muito mais fácil de ser governado e dominado, inclusive por quem não tem a mínima condição intelectual de pensar e, consequentemente, governar.
Porém nosso representante esquece que uma sociedade só existe se houver cultura, educação e inteligência, ou seja, escola com condições de ensinar e fazer pensar. A educação não é só para alfabetizar, mas para fazer a inclusão de todos no mundo moderno, globalizado e tecnológico em todos os sentidos. A educação hoje tem de estar em uniformidade global, pois o mundo ficou pequeno após o advento da aviação e da comunicação.
Assim, um país que não buscar conhecimento fora de suas fronteiras, com os mais desenvolvidos, estará fadado ao subdesenvolvimento, enfrentando todas as mazelas advindas da ignorância, bem como suas óbvias conseqüências, sendo a maior delas a de ser governado "ad-infinitum" por ditadores e oportunistas de plantão.
Um País que não tem cérebros pensantes nem governantes com referencial, ressentidos por uma condição que infelizmente não lhes permitiram estudar no passado, não chegará a lugar algum, pois os mesmos só têm hoje interesse de se vingar daqueles que tiveram condições um dia de estudar e, principalmente, elaborar um raciocínio lógico e estruturado que lhes dá o poder de julgar com imparcialidade os absurdos e desmandos que a nossa nação vem enfrentando.
E voltando a falar de circo... Também concordo que se trata de um espetáculo muito sério e importante para uma sociedade, desde que os atores não sejam políticos do picadeiro mambembe e sem graça que se tornou a capital do nosso País.