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Brasil, 17 de maio de 2012

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Sylvia Romano

sylviaromano@uol.com.br

Sylvia Romano formou-se em 1972, em Ciências Jurídicas, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Direito do Trabalho, além de ser responsável por artigos e pareceres publicados nos mais renomados jornais e revistas do País, profere regularmente mesas redondas, seminários, palestras e cursos no Brasil e no exterior, visando esclarecer, atualizar e orientar o empresariado sobre as mais variadas e polêmicas questões trabalhistas. Foi responsável pela implantação na Bayer S/A da isenção e não-marcação de horário. Sua ação de abolir cartões de ponto e implantar a vanguarda na flexibilização repercutiu em mais de cem empresas multinacionais, que seguiram a instauração da flexibilização do Direito do Trabalho. Membro do Conselho Federal da OAB, foi pioneira na implantação de cooperativa, dentre as quais, "Staroup", "CPM" (Serviço de Inteligência da Informática de Bancos). Autora do mais recente livro: "A Morte da Justiça do Trabalho – Comissões de Conciliação", editora Minelli, e responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.

22-03-2011

A JUSTIÇA E O MARKETING POLÍTICO

 

Como advogada, fico indignada com o que vem ocorrendo com a Justiça Eleitoral que, pelo que tenho visto, neste momento acabou se tornando um instrumento de marketing eleitoral.

 

É um tal de denúncia, CPIs, compra de votos, abuso do poder econômico, apoios proibidos e por aí afora. Outro dia, li as regras das últimas eleições do que pode e do que não pode se fazer em termos de divulgação e cheguei à conclusão de que não se pode praticamente nada, ou melhor, pode se fazer muito subliminarmente e, em alguns casos, até explicitamente como vem fazendo o nosso presidente em sua vergonhosa e clara campanha eleitoreira voltada à sua candidata do coração.

 

As regras do último pleito beiram as raias do absurdo e se fossem levadas a sério, duvido que algum eleito se manteria no poder, pois todos de alguma forma quebraram tais normas acintosamente, indo contra tudo o que a lei prevê. Outra coisa que me preocupa nesta lei eleitoreira é que da maneira que ela está, é uma grande oportunidade para os que já estão eleitos possam se manter nele para sempre, impedindo que novos nomes surjam na política e que venham a se eleger tomando o lugar dos muito corruptos que estão há longa data encastelados no poder.

 

Neste momento a bola da vez dos escândalos parece que é a do Partido Democrata (DEM) com a prisão do governador do Distrito Federal e, agora, com a cassação do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab pelo recebimento de doações de campanha de várias empresas, que depois foram beneficiadas por grandes contratos com a cidade.

 

Tenho certeza que este partido incorreu em contravenção, mas não só ele, pois se houver interesse e vontade de quem deve fiscalizar — e se o fizer bem —, descobrirá que todos os outros partidos também fazem parte do mesmo esquema extorsivo de doações para campanhas políticas.

 

No meu entender só nos restam duas esperanças: uma é que a imprensa, ainda livre neste país, continue batendo forte, não se deixando enganar por ações jurídicas cujos intuitos são unicamente denegrir candidatos e partidos opositores. Já a segunda esperança é o voto consciente em outubro de todos os brasileiros, alijando do poder todos os que aí estão se locupletando do erário em benefício próprio.

 

É chegada a hora da renovação, não vamos reeleger ninguém, pois os que já elegemos muito pouco fizeram por todos nós.

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