O Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) condenou, nesta quinta-feira (18), à prisão perpétua o coronel Theoneste Bagosora, de 67 anos, considerado o "cérebro" do genocídio em Ruanda em 1994, quando 800 mil pessoas morreram em 100 dias. Outros dois antigos oficiais do Exército também pegaram a mesma pena.
"O tribunal condena Bagosora, Ntabakuze e Nsengiyuvuma à prisão perpétua", anunciou o juiz Erik Mose, em referência a outros dois oficiais acusados ao lado de Bagorosa.
Os três foram considerados "culpados de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra", acrescentou o juiz. O tribunal absolveu o quarto acusado do processo, o general de brigada Gratien Kabiligi.
O coronel Bagosora, hutu e ex-diretor de gabinete do ministério da Defesa na época do genocídio, foi apresentado pela promotoria durante todo o processo como o "cérebro" dos massacres, que segundo a ONU terminaram com 800 mil mortos entre a minoria tutsi e os hutus moderados.
Segundo a acusação, o coronel anunciou em 1993, ao deixar as negociações com a rebelião tutsi da Frente Patriótica Ruandesa (atualmente no poder em Kigali), que iria "preparar o apocalipse", ou seja, o genocídio.
Bagosora, que sempre alegou inocência, se recusa a chamar de genocídio os massacres de 1994 e nega ter pronunciado as palavras atribuídas a ele.
O governo de Ruanda afirmou estar "satisfeito' com a condenação, disse o representante de Kigali no Tribunal Penal Internacional.
A Justiça do Direito Online
Fonte: France Presse
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