A Justiça estadual adiou em 45 dias o interrogatório do empresário Sérgio Gomes da Silva, acusado pelo Ministério Público de São Paulo de ser um dos mandantes do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT).
Até o dia 5 de fevereiro, para quando foi remarcado o interrogatório sobre a morte de Daniel, Gomes da Silva deverá permanecer preso na cadeia de Juquitiba (região metropolitana de São Paulo).
O empresário deveria ter sido ouvido ontem no Fórum de Itapecerica da Serra. Ele chegou a ser transferido, sob escolta policial, da cadeia pública para o fórum, onde permaneceu cerca de uma hora. Foi o tempo para seus advogados protocolarem o pedido de adiamento e de o juiz aceitá-lo.
Esse foi o segundo adiamento. O primeiro interrogatório havia sido agendado para a sexta-feira passada. Na ocasião, a defesa pediu ao juiz da 1ª Vara da Comarca de Itapecerica da Serra, Luiz Fernando Migliori Prestes, um prazo de dez dias. Obteve apenas um final de semana. Ontem, no entanto, o juiz concedeu 45 dias.
A principal alegação da defesa foi a falta de tempo para estudar as quase 13 mil páginas da ação. “Tivemos acesso a alguns documentos nesta sexta. Passamos a noite estudando, mas é humanamente impossível ler tudo”, disse o advogado Roberto Podval, que exibiu aos jornalistas o porta-malas de sua camionete Land Rover abarrotado com os cadernos do processo.
Para Podval, o juiz foi “sensível” à impossibilidade de se preparar a defesa do empresário em apenas alguns dias. Ontem Podval ainda solicitou a quebra do segredo judicial do processo, que limita o acesso das provas a promotores e advogados. O juiz Prestes negou o pedido por entender que há outras investigações em andamento.
Os promotores criminais de Santo André, que ofereceram a denúncia contra Gomes da Silva, disseram que o novo adiamento do interrogatório prejudica o “bom andamento do processo” e reagiram diante do pedido da defesa por um prazo maior para análise de provas.
“Para dizer a verdade não é preciso estudar o processo ou as provas, basta dizer”, disse o promotor Amaro José Thomé Filho, um dos responsáveis pelo caso.
Gomes da Silva foi detido no último dia 11 sob a acusação de ter encomendado o assassinato de Daniel. Além dele, sete homens estão presos pelo crime -dois já foram interrogados pela Justiça, os demais serão ouvidos em janeiro. O prefeito foi encontrado morto a tiros e com sinais de tortura em 20 de janeiro de 2002.