No momento em que sentar no banco dos réus de uma das plenárias do Fórum Criminal Mário Guimarães, na Barra Funda (zona oeste de SP), às 13h da próxima terça-feira, dia 1º, o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, 29, será imediatamente fulminado pelos olhos azuis da publicitária Karina Vadasz, 26.
“Vou ao julgamento para olhar nos olhos dele [Mateus], e, com isso, transmitir tudo o que ele fez de mal na vida de tantas pessoas”, diz Karina.
A jovem e suas irmãs, Hana, 22, e Carolina, 27, são filhas da também publicitária Hermé Luísa Jatobá, 46, que, em 3 de novembro de 1999, foi assassinada com tiros de submetralhadora 9 mm quando assistia ao filme “Clube da Luta” no cinema do Morumbi-Shopping (zona sul).
Ao lado de Hermé, “a mãe companheira com que todos sonharam”, segundo relato de suas filhas, foram mortos o economista Júlio Maurício Zeimaitis, 29, e a fotógrafa Fabiana Lobão Freitas, 25.
Mateus será julgado pelos três homicídios dolosos (com intenção), por lesão corporal grave –outras três pessoas foram baleadas– e também por tentativa de homicídio –de quinze pessoas, porque era esse o número de balas que ele ainda tinha no pente de sua submetralhadora quando foi agarrado e dominado por um expectador do filme.
A previsão é a que o julgamento dure pelo menos 30 horas, pois o homem que vendeu a arma a Mateus, Marcos Paulo Almeida dos Santos, também será julgado.
Para o advogado de acusação Álvaro Benedito de Oliveira, assistente do promotor Norton Rodrigues, “a verdadeira Justiça contra Meira será realizada pelo povo”.
“A decisão sobre a culpabilidade ou não de Mateus caberá a sete pessoas [sorteadas entre milhares que se inscrevem para participar de julgamentos] do povo. Ao juiz togado caberá dizer quantos anos eles deverá cumprir”, diz Oliveira, que também é pai do cineasta Carlos Eduardo Porto de Oliveira, 29, um dos três baleados por Mateus naquele dia e noivo da fotógrafa Fabiana.