O consumo abusivo de maconha entre adolescentes pode acarretar importantes e precoces problemas à saúde, como psicose, depressão e ansiedade, além de reduzir o Quociente de Inteligência (QI), comprometendo seriamente o rendimento escolar. O alerta é da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que chegou a um consenso ontem sobre o assunto, no penúltimo dia do 23º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que acontece no Minascentro, em Belo Horizonte.
De acordo com o coordenador do Departamento de Dependência Química da ABP, Ronaldo Ramos Laranjeira, estudos indicam que, no Brasil, cerca de 10% dos adolescentes são usuários da droga ilícita mais consumida no mundo. “A tendência é que o número de usuários de maconha entre jovens aumente ainda mais”, alerta. “Um dos objetivos do consenso (de que a maconha é, de fato, maléfica, e provoca dependência química) é transmitir informações objetivas à população, e indicar ao Estado a adoção de políticas públicas específicas para contornar o problema”, disse. Ele ponderou que, durante as discussões, a legalização da droga não entrou em pauta, apenas o efeito comportamental do uso da droga.
Ronaldo Laranjeira alerta, ainda, que a maconha potencializada, como na forma de skank (melhorada geneticamente, com maior teor de THC) e haxixe (resina extraída da folha e das flores), implicam em problemas ainda maiores. O mesmo alerta, afirma ele, vale para o consumo de drogas consideradas lícitas, como cigarro e álcool. “Do ponto de vista da saúde, é melhor não consumir essas substâncias, principalmente na adolescência”.
O ex-presidente da ABP Miguel Roberto Jorge observa que, hoje, são poucos os especialistas no país que utilizam a maconha em tratamentos psiquiátricos. “Há uma porcentagem muito pequena que utiliza a maconha no tratamento de dependentes de drogas mais pesadas, como cocaína, ou em programas de redução de danos. Mas grosso modo, a grande maioria não utiliza a droga em qualquer tipo de tratamento”, disse.
O ex-coordenador do Departamento de Dependência Química da ABP João Carlos Dias acrescenta que a maconha é a droga ilícita preferida entre estudantes dos ensinos Fundamental e Médio, e também entre meninos e meninas de rua. “Quanto mais precoce o uso, maior o comprometimento do adolescente. Hoje, a idade de experimentação é muito baixa, começa antes dos 15 anos, o que aumenta a possibilidade de dependência e também de fenômenos ligados a transtornos psíquicos”. Segundo ele, os problemas podem se acentuar em adolescentes com histórico familiar ou predisposição genética.