A receita de um médico catarinense de que sexo é o melhor remédio para depressão chocou parte dos moradores de Blumenau e repercutiu em todo o País na edição do dia 13 de junho do Fantástico. Mas segundo especialistas, o problema foi na colocação da palavra, porque não é o ato sexual, mas a sexualidade que pode contribuir com o tratamento de pessoas que sofrem da doença. Estudo recente foi divulgado pela Universidade de Ohio (EUA) e comprova que pessoas solteiras deprimidas alcançam mais benefícios psicológicos quando se casam. A necessidade de intimidade que os pacientes sentem, proximidade emocional e apoio social que a união estável pode proporcionar são fortes fatores de influência na mudança do estado de saúde da pessoa.
Psicólogos e psiquiatras concordam que depressão tem maior incidência em pessoas solitárias, divorciadas ou que sofrem com problemas emocionais. Por isso, a presença de um companheiro que demonstre interesse pelo outro é saudável. A psicóloga Iana Cerqueira afirma que o sexo é sempre saudável dentro de uma relação, mas antes do contato físico o que conta é o sentimento de aceitação do outro. A sexualidade, segundo Iana, complementa a relação e pode ser considerada um anteparo. “Num mundo em que as pessoas fogem da solidão, o fato de ser aceito de forma prazerosa e afetiva por alguém revigora e tem poder de mudar o quadro de uma pessoa deprimida”, afirma. A psicóloga defende que carinho, contato físico e emocional e a intimidade despertam sentimento de ser útil na vida e no mundo do outro. Além disso, troca de experiências e crescimento a dois fortalecem. “Assim como a depressão pode afetar o membro saudável, acontece o contrário. É uma via de mão dupla. O parceiro funciona como uma âncora, uma alavanca, por meio do diálogo, de programas e da sociabilização”, acrescenta.
De acordo com o psiquiatra e psicoterapeuta Eudo de Lima, a sexualidade sempre é benéfica para o deprimido porque durante o ato sexual são liberados hormônios sexuais (estrógeno, progestesona, testosterona) no organismo. Essas substâncias contribuem no combate à depressão, pois exercem papel modulador sobre diversas funções psíquicas, como humor e cognição. “A relação entre hormônios e depressão é tão forte que eles podem ajudar até no processo de cura”, afirma. Ele diz que a melhora é imediata e que a vida sexual ativa diminui sintomas de insônia, os conflitos da relação e ajuda na comunicação do casal.
Especialistas confirmam que casamento não é solução para a depressão. Eles acreditam em conceitos apontados em estudos passados de que o nível de qualidade matrimonial e de conflitos são fatores-chave no tratamento. O bom relacionamento a dois contribui de forma significativa para melhora do estado de saúde do deprimido, mas da mesma forma, intensas brigas podem desencadear a doença ou piorar o quadro clínico do paciente.
O psiquiatra Eudo de Lima acredita que a união entre duas pessoas ajuda na recuperação quando existe apoio, estímulo e cuidado. Eudo diz que mais de 70% dos pacientes que atende e que sofrem de distúrbio depressivo são solteiros. “Sem dúvida, o índice de ocorrência da doença é maior em pessoas sozinhas.