seu conteúdo no nosso portal

Operação Furação: máfia suspeita de dar vitória à Beija-Flor

Operação Furação: máfia suspeita de dar vitória à Beija-Flor

A Polícia Federal gravou, durante a Operação Hurricane (furacão, em inglês), ligações telefônicas que indicam o pagamento de propinas a jurados no desfile deste ano das escolas de samba do Grupo Especial. Um relatório da Divisão de Contra-Inteligência da PF, sobre indícios de manipulação do resultado, também revela que um pistoleiro seria usado pelo bicheiro Aniz Abrahão David, o Anísio da Beija-Flor, para pressionar jurados.

A Polícia Federal gravou, durante a Operação Hurricane (furacão, em inglês), ligações telefônicas que indicam o pagamento de propinas a jurados no desfile deste ano das escolas de samba do Grupo Especial. Um relatório da Divisão de Contra-Inteligência da PF, sobre indícios de manipulação do resultado, também revela que um pistoleiro seria usado pelo bicheiro Aniz Abrahão David, o Anísio da Beija-Flor, para pressionar jurados.

O relatório, já entregue à 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, registra gravações de telefonemas entre o bicheiro Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), e seu sobrinho, o advogado Júlio Cesar Guimarães Sobreira, ambos presos durante a Operação Hurricane, sob a acusação de integrar uma rede de corrupção que atua na máfia dos caça-níqueis.

Apontado nas investigações como o principal tesoureiro da organização criminosa chefiada por Capitão Guimarães e Anísio da Beija-Flor, Júlio Cesar era o responsável pela escolha do corpo de jurados. Também ocupava o cargo de secretário-geral da Associação de Bingos do Estado do Rio e foi acusado de cuidar da liberação do dinheiro usado no pagamento de propinas a policiais e no financiamento de campanhas políticas.

Júlio Cesar, em ligação telefônica interceptada pela PF no dia 8 de fevereiro deste ano, orienta Jacqueline da Conceição Silva, integrante do esquema, a fornecer um “kit” para determinado jurado do desfile — não há referência a nome no relatório. Como Jacqueline foi identificada como responsável pela organização e pela contabilidade da propina paga a policiais, sem ter ligação com o carnaval, a polícia desconfia que o “kit” possa ser propina.

“Pretinha”

Na ligação, Jacqueline diz que está mandando “o negócio para a pretinha” (imóvel usado pela organização criminosa para o pagamento de propinas). Depois de ouvir de Júlio Cesar o pedido para que providenciasse os trâmites necessários a alguém que havia aceitado o convite para ser jurado, Jacqueline informa ao chefe que “o rapaz faz a posição” e “mandou dizer que hoje é pouco, mas que Júlio sabe por quê”. O sobrinho de Capitão Guimarães responde que sim, mas quer que mande um fax “com a posição”.

Na “pretinha” ou “casa preta”, um apartamento na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, de onde Júlio geria o corpo de jurados, a PF descobriu uma parede falsa, na qual estavam ocultos R$ 4 milhões. Para os investigadores, o dinheiro (supostamente arrecadado em jogos de azar) comprova que o sobrinho de Capitão Guimarães evitava usar o sistema bancário.

A PF relata também que, após a deflagração da Operação Hurricane, recebeu denúncias de que uma pessoa conhecida como Paulinho Crespo atuaria como matador a serviço de Anísio. Para a polícia, as provas colhidas durante a Operação Hurricane sobre o carnaval demonstram “o evidente indício de favorecimento ou pelo menos parcialidade por parte da liga com Anísio da Beija Flor”. Informada sobre o relatório, a Liesa não retornou o contato.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico