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Frigoríficos de carne fantasma compraram que gado de Renan estão envolvidas em fraudes fiscais

Frigoríficos de carne fantasma compraram que gado de Renan estão envolvidas em fraudes fiscais

Um relatório reservado da Coordenadoria de Inteligência Fiscal da Secretaria de Fazenda de Alagoas confirma que as empresas identificadas como compradoras de gado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) estão envolvidas em uma fraude fiscal. O documento, enviado ao Conselho de Ética do Senado, indica que a fraude pode ser comandada pelo frigorífico Mafrial. Essa tem sido a tese de defesa do senador desde que as irregularidades nas empresas foram reveladas.

Um relatório reservado da Coordenadoria de Inteligência Fiscal da Secretaria de Fazenda de Alagoas confirma que as empresas identificadas como compradoras de gado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) estão envolvidas em uma fraude fiscal. O documento, enviado ao Conselho de Ética do Senado, indica que a fraude pode ser comandada pelo frigorífico Mafrial. Essa tem sido a tese de defesa do senador desde que as irregularidades nas empresas foram reveladas.

O relatório foi encaminhado no dia 27 de julho e diz que “ficou evidenciado que as empresas averiguadas, e outras do mesmo perfil, estão envolvidas na prática de ilícitos tributários, inclusive a maioria delas exercendo atividades comerciais em local incerto e não sabido”. A Secretaria da Fazenda diz ter cancelado a inscrição de todas as firmas no sistema tributário estadual e pediu a abertura de inquérito contra elas.

A primeira empresa investigada é a Carnal Comércio de Carnes. A fiscalização não conseguiu localizar um dos supostos donos, José Vicente Ferreira. Ele “é pessoa desconhecida” na localidade onde deveria morar. Outra empresa, a GF da Silva Costa, também não passou pela investigação. O dono, Genildo da Silva Costa, não mora no endereço oficial. Apesar disso, e da sede humilde, a empresa registra entradas de dinheiro de mais de R$ 1,2 milhão entre 2004 e 2007.

A fiscalização também não conseguiu encontrar os donos de outra empresa que teria comprado carne de Renan, a Stop Comercial. A empresa, que estava desativada, voltou à ativa em 18 de junho, quando o caso Renan já estava sob investigação. A Secretaria da Fazenda investigou seis pessoas físicas que aparecem na relação de compradores de gado do senador. Desses, quatro apresentaram declaração de isento à Receita Federal, o que indicaria renda insuficiente para esste tipo de operação.

Vendas

Os fiscais investigaram o Mafrial e concluíram que “nenhum fornecedor de gado” cadastrado em Alagoas declarou ter vendido carne ao frigorífico. Acrescentam que “estranhamente, existem vendas declaradas pela empresa no valor de R$ 5,1 milhões (entre 2004 e 2007), embora nenhum contribuinte tenha declarado essa compra”.

O relatório diz que “as empresas Carnal, GF da Silva Costa, e Stop Carnes possuem os mesmos clientes e ainda não apresentam entradas de mercadorias compatíveis com as saídas, nem com referência aos fornecedores”. O parecer diz que “todos os titulares dessas empresas apresentam o mesmo perfil socioeconômico, moradores da periferia, na mesma região, próxima ao Mafrial, em endereços de difícil localização e possuem como contador o sr. Roberto Gomes de Souza, também responsável pelo Mafrial”. Além disso, um dos donos da Stop Carnes é empregado do Mafrial.

A conclusão é que as empresas são laranjas e que “fica evidenciado o esquema fraudulento com a finalidade de se eximir do pagamento de tributos”. Os fiscais sugerem que a investigação continue na Justiça.

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