Ninguém pode dizer que o deputado Lael Varella (DEM-MG) é um homem ingrato. Nesta semana, ele desobedeceu a orientação do partido e votou a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O deputado deve fidelidade à bancada do Democratas, mas tem uma “dívida” ainda maior com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos cinco anos, a Fundação Cristiano Varella, criada pelo deputado, recebeu R$ 16,6 milhões do governo petista. Os repasses da União somaram R$ 33,9 milhões em 10 anos.
Na votação do Orçamento da União para 2007, no final do ano passado, foi aprovado um dispositivo que proíbe o repasse de recursos públicos para entidades privadas ligadas a parlamentares ou a seus parentes. Mas, oficialmente, a fundação não está no nome de Varella. O nome da entidade é uma homenagem ao seu filho, Cristiano, que morreu num acidente de carro. Junto com o dispositivo que visava acabar com esses repasses, foi aprovada uma emenda individual do deputado que destina R$ 2,15 milhões para o Centro Brasileiro de Oncologia (tratamento do câncer) de Muriaé (MG), hospital mantido pela Fundação Cristiano Varella.