A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) estão investigando suspeita de fraude no Banco do Nordeste (BNB) envolvendo aliado e responsável pela arrecadação de recursos para a campanha do deputado e ex-ministro de Integração Nacional Ciro Gomes (PSB-CE) e de seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), segundo reportagem publicada pela revista Época desta semana. Victor Samuel Cavalcante da Ponte, diretor de Administração do Banco do Nordeste, teria, segundo reportagem da publicação, assinado um acordo que beneficiou a empresa Frutas do Nordeste do Brasil (Frutan). Ciro e Victor são amigos desde a infância.
Reduzindo dívida
A revista denuncia que, de maneira irregular, Victor teria assinado um acordo que reduziu de R$ 65 milhões para R$ 6,6 milhões uma dívida da Frutan com o Banco do Nordeste. Segundo a Época, Ponte não tinha competência funcional para assinar o acordo e a redução da dívida teria desobedecido uma proibição expressa da Advocacia-Geral da União (AGU). O acordo não poderia ser feito fora da Justiça porque envolveria recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Nordeste, criado para financiar projetos de desenvolvimento da Região.
Ainda de acordo com a revista, em junho do ano passado, época da autorização para a redução da dívida e quatro meses antes das eleições, Ciro encaminhou carta a empresários apresentando Pontes como arrecadador de sua campanha e da campanha de seu irmão Cid. A reportagem da revista afirma que, impedido de fechar acordo com a Frutan, o Banco do Nordeste pediu a interferência do Ministério da Integração Nacional, então chefiado por Ciro Gomes, que encaminhou um pedido à AGU que modificasse a decisão contrária ao acordo.
Sem endosso
No entanto, a AGU manteve o parecer contrário ao acordo, argumentando que não havia respaldo legal para o que pretendia o banco e a Frutan.
A empresa, sediada no Piauí, produz limão do tipo Taiti para exportação e está em nome de empresários do Rio de Janeiro, segundo a revista. A Frutan teria pedido revisão da dívida em 2005. De acordo com a Época, Ponte responde a processo administrativo. A comissão de investigação no banco teve prazo de 30 dias para apresentar o resultado do inquérito.
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Victor nega ajuda da Frutan
Na entrevista que concedeu à revista Época, Victor Cavalcante da Ponte nega ter recebido dinheiro da Frutan nem mesmo como contribuição de campanha eleitoral do hoje deputado federal Ciro Gomes. Por sua vez, o ex-ministro da Integração Nacional, segundo a publicação, disse que Ponte teria assinado o documento em caráter pessoal, registrando um posição que seria tomada pelo Banco do Nordeste, a pedido dos donos da Frutan, e que esse documento não teria valor porque não foi uma decisão coletiva.
Ainda segundo a revista, Ciro considerou a decisão de Victor Ponte errada e que teria dito isso ao seu amigo. “Quem errou que pague”, disse Ciro à Época, algo que ele ratificou na nota que distribuiu ontem como forma de desfazer qualquer conexão entre ele e Victor que não seja a amizade.