Os relatórios preliminares da Operação Metástase, desencadeada na quinta-feira pela Polícia Federal em Roraima e que resultou na prisão de 32 pessoas, mostram que as fraudes na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no estado não eram praticadas apenas nas licitações. Em conluio com servidores públicos, um número pequeno de empresas deixou um prejuízo de R$ 34 milhões para os cofres públicos. No ano passado, a Funasa de Roraima gastou R$ 7,3 milhões em locação de meios de transportes. Os outros cinco estados da região Norte gastaram, juntos, pouco mais que R$ 2,2 milhões. Um dos presos foi o coordenador da Fundação, Ramiro José Teixeira, aliado político e indicação do senador Romero Jucá (PMDB-RR), considerado como um dos líderes das fraudes.
Teixeira, segundo a investigação, se aliou aos empresários do estado para fraudar os cofres públicos. Chegou ao ponto de nomear Ananda Gondim como diretora de Engenharia e Saúde Pública da Funasa em Roraima. Ela vem a ser mulher de Zacarias Gondim, dono da Consepro Construção e Projetos, considerada a principal empresa do ramo envolvida com as fraudes, e que deu um prejuízo à União calculado até agora em R$ 2 milhões. Investigadores ainda estão realizando levantamentos para verificar outras obras da firma, não apenas relacionadas à Funasa, mas a outros órgãos federais.
A Polícia Federal está investigando se há ligação de políticos com as obras fraudadas, já que todos os recursos usados pela Funasa eram de emendas parlamentares. Além disso, em muitas solenidades públicas da Fundação havia a presença de políticos. Em várias delas, brilhava o senador Romero Jucá. Sua assessoria afirmou que o líder do governo no Senado apenas fez a indicação de Teixeira para o cargo e, assim que soube de sua prisão, pediu ao presidente da Funasa para retirar a indicação. Teixeira entrou no cargo ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando a escolha era feita apenas pelos senadores, segundo a assessoria de Jucá.
Os relatórios da investigação também apontaram formação de cartel entre empresas, como a de aviação. Uma delas, a Roraima Táxi-aéreo, do empresário Rogério Mesquita, preso na Operação Metástase, foi contratada para fazer quatro mil horas de vôos, mas muitos deles não foram realizados. A Funasa pagou normalmente, dando um prejuízo de R$ 3,1 milhões à União. A Roraima Taxi-aéreo ganhou a licitação disputando com outras três concorrentes. Para tanto, colocou na proposta um preço apenas R$ 5 maior que o das demais, que, por seu lado, ofereceram lances idênticos. A formação de cartel ficou constatada a partir do momento em que a Roraima contratou os aviões das derrotadas.
CAMPEÃO DE GASTOS
Funasa no estado gasta mais em transportes do que eu em qualquer outro lugar da região Norte
2005
Amazonas R$ 628,170 mil
Amapá R$ 9,4 mil
Pará R$ 1,039 milhão
Rondônia R$ 3,5 mil
Tocantins R$ 15,2 mil
Roraima R$ 6,4 milhões
2006
Amazonas R$ 1,5 milhão
Amapá R$ 44,5 mil
Pará R$ 586 mil
Rondônia R$ 33,2 mil
Tocantins R$ 6,7 mil
Roraima R$ 7,3 milhões
________________________________________
Fonte: Polícia Federal