Rio – Ao fazer a apresentação da próxima Campanha da Fraternidade — “Fraternidade e Defesa da Vida”, a ser lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no dia 6 de fevereiro —, o cardeal-arcebispo do Rio, dom Eusébio Scheid, conclamou cerca de mil fiéis a nunca votar em pessoas que defendam o aborto, que, na oratória eclesiástica, são chamadas de pessoas “contrárias à vida”. No encontro que manteve com os fiéis cariocas pela manhã, na Catedral metropolitana do Rio, dom Eusébio deu sinais de qual será o tom da Igreja durante o período da Quaresma, período entre a Quarta-Feira de Cinzas e o Domingo de Ramos, 16 de março.
“No governo, nunca poderiam entrar promotores da morte. Nós precisamos no Brasil de gente viva, não daqueles que vão entrar e aprovar a despenalização, até a aprovação indistinta do aborto. A política tem de defender a vida, jamais atacá-la, muito menos acometê-la com leis que vão contra a própria natureza”, discursou.
O cardeal lembrou a última eleição, quando a Igreja fez campanha contra a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), por ela defender o aborto. Jandira concorria ao Senado e, mesmo com uma vantagem de 28 pontos percentuais nas pesquisas de opinião, acabou perdendo. “Vocês lembram da célebre deputada, que na última vez, perdeu com 28% de vantagem porque, simplesmente, sendo médica, só queria matar as crianças.”
Dom Eusébio condenou o aborto mesmo nos casos de vítimas de estupros. “Normalmente, a vida nasce como fruto do amor. Mas pode, por desgraça, por acidente, por abuso, nascer de um ato de brutalidade, de agressão, que nós chamamos normalmente de estupro. Assim mesmo, esta vida é única, é preciosa, é indestrutível”, acentuou.
Para ilustrar sua fala aos fiéis que se preparam para liderar a Campanha da Fraternidade em suas regiões, ele falou da sua sobrinha e afilhada, Aline, hoje com 10 anos. Ela, após nascer, foi deixada em uma encruzilhada do Rio Grande do Sul. Salva por um casal de namorados, foi adotada pela sobrinha do bispo. “Não sei como é a história da mãe da minha querida Aline. Não acentuando esste caso grave, de ela ter jogado a filha à beira do caminho — se é que foi ela — ela, certamente, estava desprotegida.”
“Na hora certa, quando lançarmos a cartilha sobre as eleições, vamos acentuar bem isto”, afirmou. “Se lembre de que o seu cardeal-arcebispo lhes pediu isto encarecidamente.”