Uma série de cartazes e outdoors espalhados pelas ruas de Fortaleza fez com que a campanha da prefeita Luizianne Lins (PT), candidata à reeleição, entrasse nesta segunda-feira (11) com duas ações na Justiça Eleitoral.
Assinados pela Convenção de Ministros da Assembléias de Deus Unidas do estado do Ceará (Comaduec), os cartazes trazem a inscrição: “Luizianne é contra a Bíblia e o povo de Deus. Diga não a Luizianne”.
De acordo com a entidade, a campanha é apartidária, e a intenção é expressar insatisfação com a gestão da petista, que teria rompido com os evangélicos ao vetar um projeto de lei que pedia a distribuição de exemplares da Bíblia em todas as bibliotecas da rede municipal de ensino.
Segundo J. Menezes, assessor do pastor Shelley Macedo das Costa, que preside a convenção, a campanha foi lançada no início do mês, com a distribuição de 600 mil panfletos que listavam seis motivos para não votar na petista.
Entre as razões apontadas no material, além do suposto veto à distribuição de Bíblia, a Comaduec diz que a prefeita “desprezou o voto dos evangélicos” e “dividiu a administração de Fortaleza com um exército de sodomitas”.
A campanha de Luizianne pede à Justiça a retirada imediata do material das ruas. Em duas representações, a assessora jurídica da coligação “Fortaleza cada vez melhor”, advogada Isabel Mota, aponta a “veiculação de informações mentirosas” e pede a punição também da empresa responsável pela confecção do material em razão da utilização de outdoor, tipo de mídia vedado pela legislação eleitoral.
Recursos
A advogada não descarta que algum adversário político esteja por trás da divulgação do material. “É estranho que uma associação consiga tantos recursos para manter uma campanha como essa, não?”, questiona a advogada.
De acordo com o assessor da convenção de pastores, todo o material – que envolve “mais de 800 cartazes e 100 outdoors” – foi bancado pela própria igreja.
Menezes nega que a campanha tenha alguma ligação com a candidatura a prefeito do pastor Neto Nunes (PSC). “O pastor Neto Nunes tem apoio de uma igreja, não da convenção”, diz o assessor, segundo o qual “99% das igrejas ainda não definiram candidato”.
Ainda de acordo com o assessor, em 2004, a entidade que reúne cerca de 600 pastores, apoiou a candidatura de vitoriosa de Luizianne à prefeitura.
“Vamos continuar divulgando nossa visão e entendemos que o Brasil é um país livre. Se a prefeita não nos respeita, é problema dela”, disse.