A quadrilha convencia doentes crônicos a entrar na Justiça pedindo medicamentos; o governo era obrigado a comprar os remédios, e o grupo recebia comissões em dinheiro, carros e viagens.
Depois de nove meses de investigação, a polícia chegou à quadrilha. A origem do golpe estava na Associação de Portadores de Psoríase e Vitiligo, com sede em Marília (SP). A ONG encaminhava pacientes ao médico Paulo César Ramos, também integrante do bando.
O médico repassava os dados do paciente a um advogado – que, em nome do doente e da ONG, entrava na Justiça exigindo a compra do remédio. Representantes de laboratórios recebiam os pedidos dos medicamentos e dividiam a comissão pela venda. Segundo a policia, cada caixa desse tipo de medicamento custa até R$ 1.600 e dá para apenas uma semana.
O médico Paulo César Ramos, a presidente da Associação, Luci Helena Grassi Santos, dois advogados e três representantes comerciais foram presos. Segundo a polícia, os o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 63 milhões. “A gente tem notícia de que essa atividade extrapola o estado de São Paulo”, afirmou o delegado Fábio Alonso.