O inquérito que apura o pagamento de propina a policiais para liberar o funcionamento de caça-níqueis foi reaberto pela Corregedoria da Polícia Civil. O caso teve grande repercussão em maio do ano passado, mas até hoje ninguém foi punido. Agora, um novo depoimento pode mudar o rumo das investigações.
No Tribunal da Barra Funda, um juiz e um promotor ouviram o motoqueiro que, em maio do ano passado, se envolveu no acidente com o advogado Jamil Chokr, representante de donos de caça-níqueis. O episódio teve repercussão porque, no carro do advogado, havia envelopes com a sigla DP. Dentro, ele carregava um total de R$ 38 mil. Segundo a defesa, era pagamento de honorários. De acordo com a promotoria, era propina para que delegacias de polícia permitissem o jogo ilegal.
O motoqueiro apresentado pela polícia como o homem que tentou assaltar o advogado contou à Justiça uma história totalmente diferente. Ele declarou que trabalhava para o advogado e, que pouco antes do acidente, os dois discutiram em uma padaria por causa de um novo ponto de jogo ilegal. Segundo a versão do motoqueiro, depois da briga, ele foi atropelado pelo advogado.
O homem declarou também que o advogado tem grande influência na distribuição e exploração de máquinas caça-níqueis. E que a sigla DP nos envelopes significava delegacia de polícia. Ele disse ainda que chegou a entregar, de uma única vez, R$ 60 mil de propina para um policial.
No depoimento, o motoqueiro deu detalhes sobre entrega de dinheiro, citou o nome de nove policiais que teriam recebido propina e reconheceu alguns por fotografias. Por isso, a pedido dos promotores, a corregedoria da polícia vai investigar o caso novamente – depois de ter ouvido quase 300 pessoas e de não ter chegado à conclusão alguma.
A delegada responsável pela investigação argumentou, no relatório final, que tantos interrogatórios e tantos documentos apreendidos fizeram com que a investigação perdesse o foco. Uma equipe da TV Globo procurou o advogado Jamil Chokr. Ele estava no escritório, mas não quis atender.
Segundo o Ministério Público, em apenas um ano, o advogado ganhou 29 vezes na loteria. Por telefone, Chokr disse que não gravaria entrevista. Ele negou que tenha ganhado na loteria. Os promotores suspeitam que os prêmios tenham sido usados para lavagem de dinheiro. O motoqueiro, que está preso, também não quis gravar entrevista. A Corregedoria da Polícia Civil disse que, por enquanto, não vai comentar o caso.
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