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O apagão gerou curto-circuito no ministro Lobão

O apagão gerou curto-circuito no ministro Lobão

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), não estava preparado para a missão para a qual foi designado na semana passada.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), não estava preparado para a missão para a qual foi designado na semana passada. Ainda na madrugada após o blecaute da terça-feira, Lobão se apressou a dar entrevistas para afirmar que não havia semelhanças entre o que ocorrera naquela noite e a crise do apagão de 2001, no governo Fernando Henrique. Na manhã da quarta-feira, quando teve de tratar de questões técnicas, Lobão sofreu. Primeiro, ele afirmou que a causa do problema seria a queda de um raio em uma instalação no Paraná. A argumentação foi desmentida pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), que não detectou raios no local. Lobão também se enrolou ao falar sobre o local da pane. Primeiro, disse que seria na Região Centro-Sul. Depois, afirmou que não havia como localizar o ponto exato.
Lobão foi o maior sacrificado na operação do governo para proteger a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, do desgaste político do blecaute. Na área política, ele fez o que sabe: ocupou espaço em rádios e jornais para defender o governo, antes que a oposição explorasse o problema. Mas, na área técnica, Lobão expôs sua falta de intimidade com o setor que administra. Em um momento em que dezenas de milhões de habitantes queriam saber o que havia acontecido e se faltaria luz novamente, a maior autoridade do país na área não sabia o que dizer.
O desempenho de Lobão não é surpresa. Ele não está no cargo por ter intimidade com a área, mas por ser afilhado político do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP). Lobão comanda um ministério entregue a Sarney pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em troca de apoio no Congresso. Na administração de Lobão, aliados de Sarney e de seu filho, Fernando, ocupam cargos na área energética. De acordo com investigações da Polícia Federal, amigos de Fernando também fazem negócios lucrativos com empresas estatais do setor. No mês passado, o jornal Folha de S.Paulo revelou que diálogos captados pela polícia mostram que Fernando Sarney influenciaria a agenda de Lobão. Nas conversas, Fernando telefona para a secretária de Lobão e avisa sobre pessoas que ele teria de atender, porque apresentariam negócios de interesse do grupo.

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