seu conteúdo no nosso portal

Cagece não tem legitimidade para pedir suspensão de liminar que atenda interesse privado

Cagece não tem legitimidade para pedir suspensão de liminar que atenda interesse privado

O presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargador Luiz Gerardo de Pontes Brígido, manteve liminar que obrigou a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) a reativar o fornecimento de água para o Projeto do Bem-Estar Comunitário, localizado no bairro Tancredo Neves, em Fortaleza. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (30/10).

Para o desembargador, “a concessionária de serviço público, atuando na defesa de interesses particulares, não tem legitimidade para pedir a suspensão de liminar”, de acordo com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ainda segundo o presidente, “para que as concessionárias de serviço público possam requerer medidas desta natureza é necessário que estejam defendendo interesses típicos da Administração, o que não ocorre no caso, podendo-se observar facilmente que a pretensão visa defender interesse econômico próprio da requerente [Cagece]”.

O juiz Onildo Antônio Pereira da Silva, da 4ª Vara Cível de Fortaleza, deferiu a liminar determinando que a Cagece reativasse, em 48 horas, o fornecimento de água em razão do caráter de essencialidade do serviço. O magistrado entendeu que os débitos nos valores de R$ 4.158,62 e R$ 1.355,46, referentes aos meses de outubro e novembro de 2013, respectivamente, fogem completamente à média mensal de consumo do Projeto, que girava em torno de 19 metros cúbicos, com valor de R$ 168,00.

A companhia interpôs pedido de suspensão de liminar (nº 0627714-53.2014.8.06.0000) no TJCE. Sustentou grave lesão à ordem jurídica e econômica, por interferir no seu direito de suspender a prestação do serviço, bem como de cobrar os valores relativos às tarifas devidas. Ressaltou que é legítima a interrupção do abastecimento de água em caso de falta de pagamento, pois a medida pode incentivar a inadimplência dos usuários, comprometendo a eficiência e a generalidade do serviço de água e esgoto.

A decisão foi mantida porque a Cagece não tem legitimidade para pedir suspensão de liminar que atenda interesses particulares.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico