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Acusado de litigância abusiva, escritório leva mil clientes para conhecer juiz

Acusado de litigância abusiva, escritório leva mil clientes para conhecer juiz

Sócias do escritório organizaram caravanas diárias para levar clientes ao fórum e provar transparência na atuação do escritório.

Diante de acusações de litigância predatória, as sócias de um escritório do Maranhão adotaram medida incomum: passaram a levar diariamente dezenas de clientes à secretaria do juízo, visando comprovar que as partes existiam e tinham pleno conhecimento das ações ajuizadas em seus nomes.

A estratégia, marcada pelo ineditismo, surgiu como resposta direta às suspeitas de que o escritório estaria movendo processos sem o consentimento ou sequer a ciência dos supostos autores.

Para refutar tais alegações, as advogadas passaram a organizar verdadeiras caravanas diárias. Por meio de ônibus fretados, conduziam cerca de 40 clientes por vez ao fórum da comarca, buscando demonstrar, de forma concreta, a legitimidade das demandas apresentadas.

“No segundo dia pediram para a gente parar, e já tínhamos até contratado ônibus para levar, todo dia, 40 clientes. Pelas nossas contas, daria só dois meses de atendimento na Secretaria para certificar se os nossos queridos nos conhecem”, diz a legenda de um vídeo publicado pelo escritório.

A mobilização chamou a atenção do Judiciário, que solicitou a interrupção das visitas dois dias após o início do comparecimento de pessoas em massa.

Assunto sério

Na página do Instagram, as sócias da banca Coutinho & Martins Advocacia, Natália Coutinho e Adriana Martins, divulgaram um vídeo detalhado para esclarecer os fatos e rebater a narrativa de atuação predatória.

No pronunciamento, explicaram que as suspeitas surgiram após decisão do juiz de Direito Jorge Antônio Sales Leite, da 2ª vara Cível de Caxias/MA, que determinou a suspensão das ações do escritório, a oitiva presencial dos autores e o envio de ofícios ao GAECO e à OAB, baseando-se em um documento produzido por instituições financeiras.

As advogadas criticaram a fundamentação da decisão, destacando equívoco do magistrado.

O caso apontado como exemplo de litigância predatória envolvia uma autora falecida, mas, segundo elas, a morte teria ocorrido um ano após a propositura da ação, conforme demonstrado nos autos com documentos oficiais, como a certidão de óbito. Para elas, o erro comprometeu a análise do mérito e deu origem a uma suspensão indevida de centenas de processos.

Elas também relataram que, apesar de diversas tentativas de diálogo com o juiz para prestar esclarecimentos e apresentar a documentação correta, a decisão não foi reconsiderada publicamente.

Como resposta, recorreram ao TJ/MA, que acabou reconhecendo o direito de promover a habilitação dos herdeiros, dando novo fôlego aos processos.

Além disso, as advogadas denunciaram o que consideram um conflito ético grave: a realização de um congresso institucional patrocinado por bancos – partes interessadas nos processos – no qual o próprio magistrado responsável pela suspensão das ações foi elogiado publicamente por advogados de instituições financeiras.

Durante esse evento, uma das sócias tentou questionar a imparcialidade do Judiciário e a atuação dos bancos, mas foi interrompida por um desembargador, gerando constrangimento.

“Estamos todos do lado da lei e da Justiça. E por isso, nós não podemos nos calar diante de afrontas ou desrespeitos proferidos contra a nossa imagem”, concluíram.

FONTE: https://www.migalhas.com.br/quentes/429448/acusado-de-litigancia-abusiva-escritorio-leva-mil-clientes-a-juiz

FOTO: DIVULGAÇÃO DA WEB

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