Em entrevista ao Globonews Mais, o juiz federal aposentado Odilon Oliveira disse que, depois da aposentadoria, foi jogado no lixo depois de trabalhar a vida inteira pelo Brasil. ‘O juiz fica fragilizado, à disposição da criminalidade que combateu a vida inteira’.
A proteção que o juiz tinha 24h por dia, enquanto estava na ativa, foi suspensa em fevereiro de 2019, um ano e meio depois da sua aposentadoria. Em entrevista ao Globonews Mais nesta quinta-feira (18), ele disse que, desde então “tem implorado ao Conselho Nacional de Justiça” por segurança.
“A gente trabalha a vida inteira nesse Brasil. Renuncia à liberdade, renuncia à vida, e a família fica presa dentro de casa. Quando se aposenta, o brasil joga o juiz no lixo, como se fosse uma bucha de laranja. E ele fica fragilizado, à disposição da criminalidade que combateu a vida inteira”, disse o juiz aposentado.
Segundo Oliveira, ele entrou na justiça para ter direito à escolta pelo menos três vezes por semana, no máximo 6h por dia, para fazer atividades externas, mas ainda não conseguiu garantir a segurança. “Juntei cerca de 3kg de documentos que provavam ameaças, planos de morte e um atentado que sofri em Ponta Porã”.
Nesta segunda-feira, o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes foi executado. Foi o terceiro assassinato de servidores públicos que atuaram diretamente no combate ao crime organizado nos últimos 22 anos no estado. Além do policial, um juiz e um ex-diretor de presídio também foram mortos em atentados.
O juiz Oliveira construiu sua carreira na região de Ponta Porã (MS), na fronteira seca com o Paraguai, e ganhou projeção nacional ao enfrentar o narcotráfico em uma das áreas mais vulneráveis à atuação de facções. Durante esse período, foi alvo de ameaças e planos de execução.