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STJ: Frustrado o segundo leilão, o devedor fiduciário perde o direito à devolução do crédito

STJ: Frustrado o segundo leilão, o devedor fiduciário perde o direito à devolução do crédito

O STJ decidiu que o credor fiduciário não está obrigado a devolver valores ao devedor quando o imóvel não é arrematado em dois leilões consecutivos.
A Lei 9.514/1997 estabelece que a devolução de valores ao devedor somente ocorre quando há efetiva alienação do imóvel em leilão e o produto da venda supera o montante da dívida.
Frustrado o segundo leilão, considera-se quitada a dívida e o imóvel permanece com o credor, sem configurar enriquecimento sem causa.

Veja o acórdão:

DIREITO CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. FRUSTRAÇÃO DO SEGUNDO LEILÃO. APLICAÇÃO DO ART. 27, §5º DA LEI 9.514 /97. EXTINÇÃO DE DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE DE SE FALAR EM ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. AGRAVO NÃO PROVIDO.

  1. Caso em exame
  2. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial, integrada pela decisão de não conhecimento dos embargos de declaração.
  3. A parte agravante alega nulidade da decisão monocrática que não conheceu os embargos de declaração, afirmando que demonstrou vício na decisão embargada por desconexão entre a causa de pedir e os argumentos da decisão embargada, além de requerer o acolhimento dos embargos para que não se aplique o art. 27, §5º da Lei 9.514/97, alegando enriquecimento sem causa.
  4. Questão em discussão
  5. A questão em discussão consiste em saber se a decisão monocrática que não conheceu dos embargos de declaração deve ser anulada, pois as razões do recurso de embargos de declaração apontaram verdadeiros vícios na decisão embargada.
  6. A questão também envolve a aplicação do art. 27, §5º da Lei 9.514/97, em caso de frustração do segundo leilão do imóvel, e se tal aplicação configura enriquecimento sem causa do credor fiduciário.

III. Razões de decidir

  1. A decisão monocrática foi mantida, pois os embargos de declaração não apontaram qualquer vício, mas apenas o descontentamento da agravante com a fundamentação clara da decisão.
  2. A jurisprudência pacífica desta Corte estabelece que, frustrado o segundo leilão, a dívida é extinta e o imóvel permanece com o credor fiduciário, não havendo enriquecimento sem causa.
  3. A decisão monocrática enfrentou de forma fundamentada o mérito do recurso, seguindo o entendimento consolidado no REsp n. 1.654.112/SP. IV. Dispositivo 8. Agravo interno não provido.

(STJ – 3ª TURMA – AgInt nos EDcl no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 2477071 – SP (2023/0373402- 8) RELATORA : MINISTRA DANIELA TEIXEIRA – Julg. em 02 de setembro de 2025).

EQUIPE DE REDAÇÃO

FOTO: DIVULGAÇÃO DA WEB

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