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Vicaricídio: quando a violência usa o afeto como arma

O vicaricídio é uma das formas mais extremas de violência interpessoal. Ocorre quando

alguém tira a vida de uma criança — muitas vezes o próprio filho (mais comum) —

com o objetivo de atingir emocionalmente outra pessoa, geralmente o outro genitor.

Nesse cenário, a vítima é transformada em instrumento de vingança dentro de um

conflito que, em essência, é entre adultos.

Esse tipo de conduta costuma surgir em contextos de separações litigiosas, disputas de

guarda e relações marcadas por controle, ciúme e sentimento de posse. A ruptura do

vínculo afetivo é interpretada como perda de poder, e o sofrimento do outro passa a ser

o objetivo central. Por isso, o vicaricídio se conecta diretamente à violência doméstica e,

em muitos casos, à violência de gênero, especialmente quando praticado como forma de

atingir a mulher por meio dos filhos.

Até então, o ordenamento jurídico brasileiro tratava esses casos como homicídio

qualificado, eventualmente com incidência de feminicídio, a depender do contexto. No

entanto, uma mudança reforça a gravidade desse fenômeno: o Senado Federal aprovou

recentemente a tipificação do vicaricídio como crime autônomo, com penas severas e

inclusão no rol de crimes hediondos. A nova previsão reconhece expressamente a

finalidade de causar sofrimento emocional à mãe (ou responsável) como elemento

central da conduta.

Mais do que ampliar a punição, a inovação legislativa tem impacto na forma de

identificar e prevenir esses casos. Isso porque o vicaricídio raramente ocorre sem sinais

prévios. Ameaças envolvendo os filhos, comportamento obsessivo, histórico de

violência psicológica e dificuldade extrema em aceitar o fim do relacionamento são

alertas que não podem ser ignorados.

Diante disso, o desafio não é apenas punir, mas principalmente prevenir. A atuação

atenta do Judiciário, da advocacia e das equipes multidisciplinares em conflitos

familiares é essencial para identificar riscos e evitar desfechos irreversíveis. Afinal, a

proteção da criança deve ser sempre prioridade absoluta — não apenas no discurso, mas

na prática.

Vicaricídio: quando a violência usa o afeto como arma

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