A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes se reuniu ontem (8), e segundo a relatora, deputada Liliam Sá (PR), “ficou bem claro a falta de punição”. Ela revela que 200 pessoas foram indiciadas, na CPMI que terminou em 2004, e desses casos apenas dois viraram processos, e os réus foram absolvidos. A deputada destacou também. nesta quarta (9), a falta de casas de acolhida a crianças e adolescentes vítimas da exploração sexual infantil. Confira a entrevista exclusiva com a parlamentar.O que leva tantas crianças a se prostituírem?A pobreza, a miséria, a falta de oportunidades, a falta de políticas públicas e, principalmente, a impunidade.Muitos casos ocorrem em praias. Qual seria a solução para as cidades turísticas?O que ocorre nas praias está diretamente ligado ao turismo, que em vários países veicula propagandas da facilidade da realização de encontros sexuais com crianças e adolescentes. Assim sendo, precisamos de uma grande proposta de publicidade contra essa exploração sexual, mas também precisamos de medidas punitivas, não poupando os envolvidos, pessoas físicas ou jurídicas, as primeiras com prisão e as demais com a retirada do alvará de funcionamento, encerrando as suas atividades e, caso possível, com a punição dos sócios/gerentes de forma que não possam voltar a praticar as mesmas atividades.A senhora acredita que a polícia esteja se omitindo?Às vezes, quando não pune os policiais envolvidos e acusados nas redes de exploração sexual infanto juvenil. Em alguns casos esses policiais voltam para as ruas e continuam trabalhando, como o que vem acontecendo em Brasília. A problemática é realmlente de díficil enfrentamento. São tantas e tantos anos de prática delituosa, que a própria sociedade, de certa forma, deixou de se indignar e de cobrar açãoes efetivas, deixando inclusive de denunciar. Então, não podemos falar em omissão, mas devemos buscar maior integração polícia-sociedade, o que certamente fará diminuir os casos de exploração sexual de menores.