O senador e escritor José Sarney soube da morte de Zélia Gatai ao embarcar agora à noite para Nova York, onde vai ter reuniões com seu editor americano. Amigo desde a década de 50 de Zélia e de seu marido Jorge Amado, Sarney declarou:
– Ela foi a escritora que, ao lado do grande romancista, construiu uma obra memorialística e de ficção notável, referencial na literatura brasileira. Zélia foi uma incansável trabalhadora das letras e uma personalidade inconfundível. Sua permanente alegria, seu senso de humor e de responsabilidade eram marcantes no seu caráter. Os longos anos em que convivemos foram enriquecedores para mim, privilégio que a vida me concedeu de estarmos tão próximos e tão afetuosamente ligados. É um pedaço do Brasil que desaparece, nossa paisagem humana fica menor e nós da Academia Brasileira de Letras sentimos uma ausência que nunca será preenchida. Jorge Amado sem Zélia não teria construído a obra que construiu e ela sem Jorge não seria a escritora que foi. Eles dois foram para todos os brasileiros do nosso tempo um motivo de singular orgulho e privilégio, pois fomos contemporâneos desse tempo em que eles existiram, em que encheram a história do nosso povo, de nossa literatura, de nossa vida.