A comissária-chefe adjunta da Scotland Yard, Cressida Dick, será criticada no relatório da Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC) sobre o caso do brasileiro Jean Charles de Menezes, que foi morto ao ser confundido com um terrorista em julho de 2005 em uma estação do metrô de Londres.
Segundo os jornais “The Guardian” e “News of the World”, o relatório, que será divulgado na quinta-feira (8), criticará Cressida por não haver sido suficientemente clara nas ordens transmitidas a seus subordinados de deter Menezes antes que entrasse na estação de metrô, onde o brasileiro acabaria sendo morto a tiros pelos agentes.
No processo judicial, Dick disse que não tinha dado a ordem de atirar para matar, e sim tinha ordenado simplesmente que seus homens interceptassem o indivíduo antes que entrasse na estação de metrô de Stockwell, em Londres.
Os agentes da unidade antiterrorista da Scotland Yard seguiram Jean Charles até ele entrar na estação de metrô, onde atiraram no jovem à queima-roupa em um vagão, enquanto os outros passageiros fugiam apavorados.
Apesar desse ocorrido em 22 de julho de 2005, um dia depois dos atentados fracassados contra o sistema de transportes da capital, Cressida foi promovida no ano seguinte a comissária-chefe adjunta por recomendação do principal responsável da Scotland Yard, Ian Blair.
A publicação desse novo relatório, indica o “Guardian”, fará aumentar as pressões para que Blair renuncie, o que este se negou a fazer até agora, apesar dos pedidos nesse sentido da oposição conservadora e de grande parte da imprensa, que chegou a dizer que ele era um homem “sem honra”.
Ian Blair se beneficiou até agora do apoio tanto do governo trabalhista britânico quanto do prefeito de Londres, Ken Livingstone.
Segundo o “Guardian”, a estratégia do governo consiste em minimizar o dano que esse relatório pode causar a Blair, culpando em parte os agentes que estavam no comando da operação.
O jornal acredita que o relatório da Comissão Independente de Queixas à polícia criticará a decisão de Ian Blair de tentar bloquear sua investigação do caso, porque prejudica a confiança pública nessa força.
A Procuradoria da Coroa já estudou o relatório da Comissão, mas, segundo algumas fontes, a menos que se apresentem novas provas, nenhum agente ou funcionário da Scotland Yard será acusado formalmente.
Foi considerada pela Procuradoria a possibilidade de acusar Cressida de homicídio, mas renunciou a isso diante da falta de provas.
Na semana passada, o tribunal londrino de Old Bailey declarou a Polícia Metropolitana de Londres culpada de erros “catastróficos” que levaram à morte do brasileiro, por isso a Scotland Yard terá que pagar uma multa de 175 mil libras (cerca de R$ 632 mil) e dos custos judiciais, de 375 mil libras (aproximadamente R$ 1,3 milhões).
O brasileiro chegou a recebeu até oito tiros (sete na cabeça e um no ombro) ao ser confundido com Hussain Osman, um dos terroristas dos atentados fracassados de 21 de julho de 2005.