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Nova Lei da Prisão Preventiva deve soltar milhares de presos que ainda não foram julgados

Nova Lei da Prisão Preventiva deve soltar milhares de presos que ainda não foram julgados

Desde a Constituição de 1988, uma pessoa condenada a menos de quatro anos dificilmente ficará presa. Serão aplicadas outras medidas restritivas de direitos e o regime aberto”, explica.

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A nova
Lei da Prisão Preventiva, que entra em vigor amanhã (4), deve resultar na
liberação, em todo o país, de milhares de presos que ainda não foram julgados.
Deverão ser beneficiados presos não reincidentes que cometeram crimes leves,
puníveis com menos de quatro anos de reclusão. Em tais casos, a prisão poderá
ser substituída por medidas como pagamento de fiança e monitoramento
eletrônico.
 
A população carcerária do país, hoje, está em torno de 496 mil pessoas, segundo
dados do Ministério da Justiça. Em 37% dos casos – ou seja, para 183 mil presos
– ainda não houve julgamento e não se pode garantir que sejam culpados.

“Quer
dizer que esses presos provisórios vão ser soltos na segunda-feira? Não. O que
a lei diz é que o advogado pode alegar a aplicação de medidas cautelares para o
preso. A regra é: o processo você sempre aguarda em liberdade”, explica o
secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira

De acordo
com o supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema
Carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Walter Nunes, a lei não vai
gerar sensação de impunidade. “Não se pode dizer que a lei vai trazer
impunidade, porque prisão preventiva não é para punir. É uma medida
excepcional, aplicada antes de uma pessoa ser considerada culpada”.

De acordo
com Nunes, hoje é mais benéfico ser condenado por um crime leve do que existir
a suspeita de que ele foi cometido. “Desde a Constituição de 1988, uma pessoa
condenada a menos de quatro anos dificilmente ficará presa. Serão aplicadas
outras medidas restritivas de direitos e o regime aberto”, explica.

O
procurador Eugênio Pacelli, que foi relator da comissão responsável pelo
projeto de lei do novo Código de Processo Penal, no entanto, teme que a
liberação dos acusados cause sensação de insegurança na sociedade. Entretanto,
ele acredita que mais inseguro ainda é deixar essas pessoas presas, convivendo
com criminosos experientes.

“Há uma
ilusão na sociedade: as pessoas acham que a prisão garante o sossego e a
segurança de todo mundo, mas, muitas vezes, a prisão é que produz o próximo
problema. Você colocar uma pessoa que não tem histórico nenhum presa é algo
muito complicado, pois a prisão é um ambiente de violência, e isso afeta as
pessoas”, diz Pacelli. O procurador lembra que, com a nova lei, não haverá
alteração no tratamento de crimes mais graves, como homicídio ou estupro.

Para o
ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), a lei veio a
corrigir uma generalização da prisão preventiva. Ele ressalta que hoje, em vez
de se apurar primeiro para, depois, prender, já com culpa formada, passou-se
para um “campo de justiçamento”, em que se prende de forma
generalizada. “Daí a superlotação das penitenciárias e das cadeias
públicas”, diz o ministro.

Ele
também acredita que a nova lei ajudará a evitar que inocentes fiquem presos
indevidamente. “Liberdade não é algo que é passível de devolução. Se houve uma
prisão indevida, vamos responsabilizar o Estado?”, pergunta o ministro.

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