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Desembargadores devem ter salário cortado

Desembargadores devem ter salário cortado

Uma estimativa feita por integrantes do Conselho Nacional de Justiça indica que pelo menos dois mil desembargadores de Justiça de todo o país poderão ter seus vencimentos reduzidos com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de confirmar o teto salarial em R$ 24.500.

Uma estimativa feita por integrantes do Conselho Nacional de Justiça indica que pelo menos dois mil desembargadores de Justiça de todo o país poderão ter seus vencimentos reduzidos com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de confirmar o teto salarial em R$ 24.500.

Na próxima semana, o CNJ vai se reunir para editar uma resolução sobre o assunto e impor aos Tribunais de Justiça o cumprimento desse teto que vale para todo o funcionalismo. A resolução usará como base julgamento feito anteontem no STF. Na sessão, o tribunal apreciou recurso impetrado por quatro ex-ministros do próprio STF que queriam ter direito de receber adicional por tempo de serviço com valores que ultrapassavam o teto estabelecido em 2004.

Magistrados ganhariam até R$ 50 mil

Os ex-ministros Djaci Alves Falcão, Xavier de Albuquerque, Rafael Mayer e Oscar Dias Corrêa (já falecido), contestaram a decisão administrativa do STF, de 5 de fevereiro de 2004, que determinava o corte do valor que excedia o teto. Na época o valor do teto estava em torno de R$ 19,1 mil e as aposentadorias dos quatro ex-ministros eram maiores: cerca de R$ 20,8 mil. O STF considerou que a gratificação por tempo de serviço está incorporada ao vencimento recebido por ministros da ativa e aposentados e deveria, portanto, respeitar o valor do teto.

Segundo informações repassadas ao CNJ, na lista dos dois mil desembargadores há casos de vencimentos que chegariam a R$ 40 mil. No Tribunal do Maranhão, dois desembargadores receberiam essa cifra. No TJ de Minas Gerais, vários têm salário de mais de R$ 30 mil. No Tribunal de Contas de Minas haveria um salário acima de R$ 50 mil.

Na próxima terça-feira, o CNJ vai definir quais gratificações que fazem parte do subsídio recebido pelos magistrados estão sujeitas ao teto. Segundo o presidente do STF e também do CNJ, ministro Nelson Jobim, a tendência é especificar categorias de gratificação. Entre elas estariam contempladas o adicional por tempo de serviço, já incorporado e submetido ao teto e as gratificações de outra natureza que também não podem levar o vencimento total a ultrapassar o valor de R$ 24.500.

— O Judiciário está a serviço dos cidadãos e não de seus membros. O Brasil está caminhando, as coisas estão mudando — disse Jobim ontem, durante palestra no campus da Universidade Paulista (Unip), em São Paulo.

Resolução pode provocar nova briga no Judiciário

A resolução sobre o teto será a segunda grande briga do CNJ com os magistrados. A primeira foi a que proibiu a contratação de parentes no Judiciário. Editada no fim do ano passado, a medida enfrentou reações em todo o país. Parentes de juízes e desembargadores conseguiram liminares na Justiça para garantir seus empregos. Mas o STF julgou que a medida era constitucional e as liminares foram canceladas. A nova resolução pode provocar corrida por de liminares e o STF deve voltar decidir sobre a sua legalidade.

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