Jerusalém, 9 jul (EFE).- Israel não cumprirá a sentença do Tribunal Internacional de Justiça de Haia sobre o muro da Cisjordânia, pelo fato de essa corte ser integrada por juízes europeus que não nutrem simpatia pelo país, afirmou hoje, sexta-feira, o ministro da Justiça, Yosef Lapid.
“Cumpriremos as decisões do Supremo Tribunal de Justiça de Israel, mas não as de um painel de nações da União Européia que não são conhecidas por sua simpatia a Israel”, disse o ministro à rádio militar israelense.
Lapid se inteirou de uma informação no jornal “Haaretz” segundo a qual a sentença do TIJ ilegalizará o muro que Israel constrói na Cisjordânia, exigirá sua destruição e a indenização de todos os palestinos atingidos.
Em suas declarações, afirmou que Israel respeitará unicamente as decisões de seus próprios tribunais, como a que exigiu a alteração do traçado do muro ao norte de Jerusalém na semana passada.
O texto da sentença divulgada pelo jornal “Haaretz” contra Israel perturbou a política local, e dois partidos de oposição já anunciaram que apresentarão moções de censura contra o governo em virtude da decisão do tribunal.
“Israel não pode ignorar a decisão do TIJ, porque, do contrário, continuará sendo um Estado pária”, afirmou o deputado Muhamad Barake, da frente Chadash.
Já o deputado pacifista Yosi Sarid disse que “este governo tolo cometeu todos os erros possíveis, quando definitivamente se trata de uma cerca para a defesa própria”. “Responsabilizo o governo pela decisão anti-israelense do TIJ”, afirmou Sarid, acrescentando que “só é preciso ver a forma como a barreira está construída para saber como se governa este país em todos os aspectos”.
Sem esperar sequer a decisão do tribunal de Haia, o ministro de Exteriores, Silvan Shalom, convocou esta manhã uma reunião com seus assessores para coordenar a campanha diplomática com vistas à sentença.
Em princípio, Israel lembrará os mais de 76 atentados sofridos em seu território desde o começo da Intifada, para neutralizar as possíveis conseqüências da decisão.
“Lembraremos as causas que levaram à construção da cerca de separação e suas conseqüências (do terrorismo palestino)”, afirmou hoje um porta-voz do Ministério de Exteriores.
Enquanto isso, um porta-voz do governo, Avi Pazner, afirmou que Israel aceitará revisar o traçado do muro uma vez concluído o “processo de separação” dos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.