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No Piauí, nepotismo no paredão

No Piauí, nepotismo no paredão

Um muro divide metaforicamente a cidade de Campo Maior (PI), a 84km de Teresina. Nele foram escritos nomes de parentes do prefeito, João Félix (PPS), contratados em cargos comissionados e funções gratificadas na administração municipal. A iniciativa provocou ações na Justiça, várias pinturas e muita discussão entre os 43 mil moradores do município.

Um muro divide metaforicamente a cidade de Campo Maior (PI), a 84km de Teresina. Nele foram escritos nomes de parentes do prefeito, João Félix (PPS), contratados em cargos comissionados e funções gratificadas na administração municipal. A iniciativa provocou ações na Justiça, várias pinturas e muita discussão entre os 43 mil moradores do município.

A relação pública com nomes de funcionárias da prefeitura foi uma iniciativa do vereador Fernando Miranda (PT). Ele e outros colegas da Câmara Municipal montaram uma lista segundo a qual o prefeito já distribuiu cargos para, pelo menos, cinco irmãos, seis sobrinhos, dois cunhados e mais nove familiares dele ou de seus irmãos.

Há um agravante. Parte da parentada também foi empregada no município vizinho de Jatobá, que já foi administrado por João Félix e hoje tem como prefeito um primo dele, Dalberto Rocha de Andrade (PSDB). O levantamento dos vereadores mostra casos de parentes que chegaram a receber por cargos nas duas prefeituras.

Félix e Andrade negam alguns casos apontados pelos vereadores, mas confirmam ter empregado irmãos, primos, cunhado e outros familiares. “Eles são profissionais, e os cargos de confiança têm de ser preenchidos por gente de confiança”, diz João Félix. “Eles são competentes”, endossa Dalberto Andrade. “Pode até ter gente competente em outras famílias, mas no momento em que a gente nomeou foram eles que encontramos.”

Pagamentos

O caso mais impressionante é o de Maria das Dores Spíndola, irmão de João Félix e prima de Andrade. As listas de pessoal das duas prefeituras mostram pagamentos para ela como professora e até gari na prefeitura de Jatobá e também como funcionária da área do cerimonial da prefeitura de Campo Maior. Além disso, segundo os vereadores, ela ainda fornece combustível para as duas prefeituras.

Maria das Dores se negou a dar explicações por telefone. “A gente só fala cara a cara com as pessoas”, disse. João Félix afirmou que a irmã só dá “uma ajuda” no cerimonial, e Andrade disse que ela só recebeu como gari por dois meses, devido a “um erro de digitação”.

O muro com o nome de Maria das Dores e outros familiares dos prefeitos é da própria casa do vereador Miranda. “A intenção é acabar com esta prática”, afirma ele. A pintura da relação foi feita no ano passado e acabou sendo refeita diversas vezes, já que é comum ela amanhecer coberta por óleo. Algumas das pessoas listadas recorreram à Justiça, mas ainda não conseguiram obrigar Miranda a desistir da lista. Por sua vez, o vereador denunciou o nepotismo ao Ministério Público e conta ter sofrido ameaças por causa do muro.

“Celeuma”

Baker Martins, delegado de polícia na cidade, não gostou muito da “celeuma” causada pela pichação política. “Quando você bota algo na parede de sua casa, está expondo a família. Não é um ato de heroísmo”, afirma. Ele disse que as manchas sobre os nomes dos familiares foram confirmadas, mas não se sabe de que lado partiram. “Não há nenhuma prova quanto à autoria dos delitos, podem ser opositores do vereador ou até gente do grupo dele, pra chamar a atenção.”

Arnaldo Ribeiro, radialista responsável por um dos programas mais populares da cidade, aplaude a iniciativa do vereador. “O muro é o ponto turístico de Campo Maior”, afirma. “É fantástico, até estudantes vão lá fazer pesquisa.”

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