Quatro mulheres esperam por Justiça há mais de 40 anos. Dora Leurenroth perdeu o marido, o publicitário Ivan Meira, em 26 de novembro de 1962. O avião em que Meira estava, da Vasp, chocou-se com um Cessna, particular, e caiu. Vinte e sete pessoas morreram. Dora, com 32 anos à época, ficou viúva e com três filhas pequenas. A mais velha tinha apenas 3 anos de idade quando ocorreu a tragédia.
A Justiça Federal foi criada no Brasil, o Tribunal Federal de Recursos (TFR), extinto em 1988, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) implantado, e o pedido de indenização de Dora, hoje com 77 anos, continua estacionado no Tribunal de Justiça de São Paulo. “Tantas alterações de competência ao longo desse tempo contribuíram para tal atraso”, explica o advogado Ruy Ludolf Ribeiro.
Dora chegou a ganhar em primeira instância, mas a condenação se restringiu ao dono do Cessna. A briga, desde então, é para que a Vasp também seja responsabilizada. Embora tenha ido à falência e nem exista mais, explica o advogado, a empresa tem patrimônio. Com 66 anos, Ribeiro conta que é o quarto profissional a pegar o caso desde o início da batalha judicial da família Leurenroth. “Os outros três morreram ao longo do processo”, revela.
Se em um mês não houver qualquer despacho do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ribeiro pretende se dirigir ao presidente do órgão para pedir uma providência. “Chegamos a um ponto em que não é mais possível esperar. Isso é a própria negação da Justiça, deixar alguém pleitear um direito há meio século”, revolta-se o advogado. Enquanto isso, Dora e a família apenas aguardam. (RM)