O juiz da Vara da Infância e Juventude de Ribeirão Preto, em uma demonstração do avanço perante os casos que envolvem a adoção de crianças por homossexuais, concedeu a guarda provisória de quatro irmãos ao casal João, de 34 anos, e Paulo, de 40 anos.
João e Paulo são cabeleireiros e têm uma relação estável há 15 anos. Conforme publicou a Folha de S. Paulo, o casal queria adotar duas crianças. Quando foram chamados pela Vara da Infância e Juventude, o juiz Paulo César Gentile os avisou que havia quatro irmãos – três meninas e um menino – à espera de adoção. O casal então pensou e decidiu adotar os quatro irmãos.
Segundo João, que já ajudou a criar dois filhos biológicos de seu companheiro Paulo, a adoção das crianças foi muito importante. “Completou a nossa família. É como se tivessem feito DNA de alma, de tanto amor que tem entre a gente”, afirmou João à Folha.
As crianças, que são filhas de um dependente de drogas que perdeu a guarda dos filhos, já passaram o primeiro Natal na casa dos pais adotivos e duas das meninas tiveram sua primeira festa de aniversário neste ano.
“Estamos muito felizes, principalmente porque a mais velha nos disse que o sonho dela era ter amor e uma família e que isto ela conseguiu agora”, ressaltou João.
Para o juiz Paulo Gentile, a guarda provisória tem tudo para avançar para uma adoção concretizada, já que as crianças estão se dando bem com o casal. Ainda segundo o juiz, o importante para a lei é que os pais adotivos tenham condições financeiras e afetivas para criar as crianças, sem importar a orientação sexual deles.
”Qualquer acolhimento sob forma de guarda, adoção ou tutela é um gesto de fraternidade. A lei determina que quem vai acolher a criança ou adolescente tem que ter condições adequadas e aptidão para isto e qualquer consideração que passe pela opção (sic) sexual da pessoa é preconceito”, disse ao jornal Paulo Gentile.
Em novembro passado um casal de homossexuais habitante da cidade de Catanduva (interior de São Paulo) se tornou oficialmente pais adotivos de Theodora, de cinco anos.