Uma missão brasileira chega amanhã à Bolívia para negociar com o governo de Evo Morales o preço do gás que o país vende ao Brasil. Na ocasião, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, vai apresentar à boliviana YPFB a proposta de reajuste zero para o preço do gás vendido ao Brasil. Além disso, Gabrielli vai aproveitar a reunião para discutir outros aspectos do decreto boliviano, inclusive a indenização a ser paga pelas refinarias parcialmente nacionalizadas.
“Pela Constituição boliviana, qualquer nacionalização prevê uma indenização prévia e essa questão tem que ser colocada”, disse Gabrielli, segundo o jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira.
Na segunda-feira, Morales disse que pretendia aumentar em 61,34% o preço do combustível importado pelo Brasil, como parte da sua recém-anunciada nacionalização das reservas e da infra-estrutura de exploração de gás no país.
“A YPFB quer uma coisa e nós, outra. Partiremos então para uma negociação, como é absolutamente natural, racional e tradicional entre duas empresas”, argumentou Gabrielli, ontem, após participar de solenidade no Espírito Santo.
Conspiração
Morales denunciou ontem uma suposta conspiração “de fora” do país contra a nacionalização dos hidrocarbonetos que decretou há uma semana, embora não tenha identificado os responsáveis pelo plano. O presidente boliviano fez a denúncia em um ato de inauguração de um centro oftalmológico criado com ajuda cubana, na cidade de Copacabana, perto da fronteira com o Peru e nas margens do lago Titicaca.
“Do exterior, querem conspirar contra nosso governo, contra a democracia”, disse em seu discurso. Morales teve palavras de elogio para o líder cubano, Fidel Castro, e de repúdio contra os Estados Unidos e os países com economias de mercado.
Investimento
A Petrobras investiu US$ 1,5 bilhão na Bolívia desde 1996 e opera 46% das reservas de gás desse país. O Brasil recebe diariamente até 30 milhões de metros cúbicos de gás boliviano, a metade do consumo nacional. No sul do país, a dependência chega a 100%.
O governo boliviano nomeou ontem diretores que assumirão o controle da Petrobras e outras quatro empresas estrangeiras cujas operações na Bolívia foram nacionalizadas na semana passada.
O presidente da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Jorge Alvarado, já havia anunciado que a partir desta semana o governo iria começar a reorganizar o setor energético de acordo com o decreto do presidente Morales.