Em meio à turbulenta sessão que culminou com a renúncia do então deputado distrital Pedro Passos (PMDB), surge uma grave denúncia nos corredores da Câmara Legislativa. Dessa vez, o alvo é a presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, a deputada Érika Kokay (PT). Geraldo Batista da Rocha Júnior, ex-funcionário do gabinete de Érika, acusa a distrital de tê-lo usado como laranja para abrir e emprestar sua conta bancária para movimentar dinheiro e fazer caixa dois de campanha. A denúncia foi protocolada na Procuradoria da República do Distrito Federal e na Câmara Legislativa.
Junto ao documento, foram anexados cheques e extratos bancários que supostamente provariam a movimentação financeira. O servidor afirma que entregava cheques assinados em branco, cartão bancário e senha para Ailton Passos Jardim, um dos coordenadores de campanha e ex-chefe de gabinete da distrital. Geraldo informa, no documento, que, preocupado com a situação, passou a pegar cópias dos extratos da conta Ele diz ter ficado “estarrecido ao constatar uma movimentação de mais de R$ 150 mil” e que “nunca tinha autorizado a utilização de sua conta para lavagem de dinheiro, provavelmente, de corrupção ou de desvio de dinheiro proveniente de imposto sindical que o sindicato dos bancários recebe de sua categoria profissional”, conforme descrito na denúncia.
Surpresa com a acusação, Érika sustenta desconhecer tudo isso e sugere que o episódio tenha sido mais uma manobra para desviar o foco das investigações contra Pedro Passos. A deputada estranha o fato de os documentos terem sido autenticados na segunda-feira, véspera da renúncia do peemedebista, e de a denúncia ser protocolada horas antes de Passos saber que o TJDF havia cassado liminar que suspendia processo contra ele. “Acredito que tenha sido uma tentativa de criar uma cortina de fumaça que impedisse o prosseguimento de um processo que tramitava na Casa”, sugere Érika. Ela conta que Geraldo foi informado há cerca de dois meses de que seria demitido, devido a desvios de conduta.