O presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Piauí, Álvaro Mota, afirmou hoje (10) que espera eleições limpas para este ano, apesar de constatar que, atualmente, o quadro tem se delineado com o ressurgimento da “velha prática” da compra de votos, de troca de favores, loteamento de cargos e de extrema falta de ética na política. “Ao invés de estarmos conhecendo e debatendo propostas e planos de governo, estamos, ainda, discutindo mazelas, o que deveria estar a cargo do Ministério Público e do Poder Judiciário”.
Diante desse quadro, Álvaro Mota chama a atenção para a importância da nova edição da Campanha Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral, lançada na última semana pela OAB nacional juntamente com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para as próximas eleições. Por meio da campanha, serão instalados Comitês de Combate à Corrupção em todo o país para receber denúncias de compra de votos e de irregularidades no pleito de outubro próximo.
Álvaro Mota lembra que a entidade da advocacia vem atuando no processo político desde a década de 80, prestando grande colaboração à transparência das eleições no Brasil. “Afinal de contas, é necessário que alguém tenha consciência, que alguém alerte, que alguém neste país aponte os desmandos e os deslizes que estão ocorrendo”.
A seguir, a íntegra da entrevista concedida pelo presidente da OAB do Piauí, Álvaro Mota:
P – Como o senhor acha que será o nível da campanha eleitoral para presidente da República, em outubro próximo?
R – Em tese, espero um nível elevado, um nível ético. Mas, infelizmente, o quadro tem se delineado com o ressurgimento da velha prática da compra de votos, de troca de favores, loteamento de cargos e de extrema falta de ética na política. Ao invés de estarmos conhecendo e debatendo propostas e planos de governo, estamos, ainda, discutindo mazelas, o que deveria estar a cargo do Ministério Público e do Poder Judiciário. No entanto, esperamos que seja uma eleição de alto nível. Afinal de contas, o povo brasileiro tem esperança de novos dias. O povo brasileiro é um povo trabalhador, um povo ordeiro e não merece essa desordem que está a nossa política, essa crise ética que está encobrindo o cenário nacional.
P – O senhor acredita que toda essa crise envolvendo parlamentares acusados de terem recebido dinheiro do “valerioduto” e envolvendo o governo atual, pode ter reflexo nas próximas eleições?
R – Sem dúvida. Acredito que o que vemos está pior do que no período na ditadura militar. Nem naquela época vimos práticas nesse sentido. Então, o perigo que vejo é exatamente essa maquiagem de democracia que existe num jogo sujo, num jogo desleal, num jogo desonesto, onde não há transparência. Isso é horrível para a política.
P – A OAB está colocando em prática a Campanha Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral, juntamente com a CNBB, para as próximas eleições. O senhor acredita que a OAB pode ajudar nesse processo de limpeza da política?
R – Não só pode, como tem ajudado em todo esse processo. Desde a década de 80, a OAB vem atuando nessa questão da ética na política brasileira. Hoje, a OAB é uma instituição na qual as pessoas confiam, é uma instituição que tem credibilidade perante os eleitores. Eu acho que é um passo largo da OAB, uma enorme colaboração que a entidade está dando, mais uma vez, à democracia brasileira por meio dessa campanha. Afinal de contas, é necessário que alguém tenha consciência, que alguém alerte, que alguém neste país aponte os desmandos e os deslizes que estão ocorrendo.