A Central de Inquéritos de Curitiba acatou, no fim da tarde de quarta-feira, o pedido de prisão preventiva para o ex-presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Rolim de Moura, e outros oito acusados de participar de um esquema para desviar dinheiro da entidade responsável pelo futebol no Estado.
O advogado de Moura, Elézer Castro de Queiróz disse que ainda não teve acesso, assim como os advogados dos outros acusados, ao teor do relatório apresentado pela polícia e nem aos argumentos que embasaram a decretação da prisão. “Somente nesta sexta-feira vamos analisar as medidas a serem tomadas”, disse Queiróz.
Se os advogados não conseguirem o relaxamento das prisões, os acusados devem permanecer presos por pelo menos mais 80 dias. A polícia também ganhou mais dez dias para recolher novas provas que fortaleçam as denúncias de desvio de dinheiro, fraude processual, estelionato, formação de quadrilha e apropriação indébita. Os acusados estão presos desde o dia 6. De acordo com relatório da polícia, eles teriam, sob o comando de Moura, criado empresas secundárias para receber parte do dinheiro que era devido à federação. Com esse esquema, teriam desviado pelo menos R$ 5 milhões, que a polícia ainda não conseguiu localizar.
Segundo a polícia, o esquema foi montado porque a FPF possui muitas dívidas, sobretudo trabalhistas e fiscais, e tinha as contas penhoradas pela Justiça. O delegado do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), Sérgio Sirino, disse que Moura admitiu essa prática durante o depoimento, alegando que o fazia para evitar o fechamento da entidade e cancelamento dos campeonatos que organizava. Para Sirino, parte do dinheiro foi usado em benefício próprio dos envolvidos no esquema. “O dinheiro da federação saia da conta jurídica da entidade para atender aos interesses do ex-presidente e de toda essa teia criminosa”, ressaltou.