Quantas horas você já passou no trânsito? Uma pesquisa feita em 2019 mostra que os brasileiros gastam, em média, 32 dias do ano em engarrafamentos. A relação entre trânsito e mobilidade urbana é um problema que atinge diversas cidades do país, e não apenas as grandes capitais. Ter a mobilidade tão lenta não deveria ser considerado normal e muito menos fazer parte do dia a dia dos brasileiros.
Um grande problema que leva aos engarrafamentos nas cidades grandes é a coexistência de diversos públicos que frequentam as mesmas avenidas. Por exemplo, nas Marginais Pinheiros e Tietê, em São Paulo, estão presentes tanto uma população local, que se locomove dentro do perímetro urbano, quanto veículos que pretendem viajar e percorrer distâncias maiores.
Então, já anote aí: antes de comprar sua passagem para viajar de ônibus, veja se o trajeto é composto majoritariamente de estradas em perímetro urbano e verifique com a empresa de ônibus se ela possui alternativas.
Uma saída é apostar em caminhos que peguem os anéis viários, também conhecidos como rodoanéis, que oferecem alternativas para facilitar os caminhos daqueles que vão fazer percursos mais longos.
Continue lendo para entender um pouco mais como funcionam essas estradas e quais são seus benefícios e malefícios para o desenvolvimento das cidades.
Uma solução para o trânsito intenso
Como foi dito anteriormente, os anéis viários desafogam o trânsito separando aqueles que circulam apenas no perímetro urbano daqueles que fazem viagens mais longas.
Além disso, em entrevista para a revista CNT, André Ricardo Handich, pesquisador do Laboratório de Transporte e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina, mostra que os anéis rodoviários são consequência do adensamento para perto das rodovias.
Segundo o pesquisador, o aumento significativo das cidades fez com que as estradas não comportassem mais o número crescente de veículos, e fossem necessários os anéis rodoviários para que houvesse mais fluidez no trânsito.
Os rodoanéis espalhados pelo país são conhecidos por sua falta de segurança e pela alta quantidade de acidentes. As prefeituras e governos dos locais que possuem essas vias, como São Paulo e Belo Horizonte procuram implementar medidas de segurança.
Entre as principais estão a diminuição da velocidade, a melhoria na sinalização, os reparos nas pistas e a implementação de gradis e outros equipamentos de segurança. Porém, todo cuidado é pouco na hora de dirigir por essas vias.
Os anéis rodoviários trazem para as cidades mais desenvolvimento e circulação de mercadorias. A construção dessas vias de acesso resulta em mais investimentos para os locais, com a implementação de empresas de logística, supermercados, shoppings e empreendimentos habitacionais.
Portanto, pode-se dizer que os anéis ajudam a espalhar e criar novas áreas economicamente ativas, além de colaborarem para a geração de mais emprego e renda em cidades ao redor de grandes capitais.
Uma solução definitiva?
Para muitos especialistas, como Handich, os anéis rodoviários ajudam a desafogar o trânsito, mas não representam uma solução definitiva para o problema do trânsito, pois, assim que chega no perímetro urbano, a fluidez dessas vias acaba.
Além disso, sem políticas de mobilidade urbana que incentivem os transportes coletivos e outras formas alternativas de locomoção, a tendência dos anéis viários é de ficarem cada vez mais lotados com o passar do tempo.
As soluções apontadas como definitivas por diversos especialistas são extremamente complexas e levariam muitos anos para serem implementadas. Por exemplo, um replanejamento das cidades e maiores investimentos nas vias de áreas do perímetro urbano, buscando resolução para seus problemas de mobilidade e evitando ações paliativas.
Com o crescimento das cidades, os anéis rodoviários podem acabar perdendo sua função principal, que é a utilização para viagens de longas distâncias, e se tornarem vias inseridas no perímetro urbano, com trânsito local mais intenso.