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Delegado aposentado da PF fazia espionagem para a Guatama. Até a Petrobrás foi espionada

Delegado aposentado da PF fazia espionagem para a Guatama. Até a Petrobrás foi espionada

As investigações da Polícia Federal sobre a máfia das obras públicas mostram que uma quadrilha especializada em grampos clandestinos, que dava sustentação às ações do empresário Zuleido Veras, chegou a espionar a Petrobras na Bahia e a instalar escutas a pedido de um diretor da GDK, que presta serviços à estatal. Relatório que trata sobre as escutas telefônicas diz que o grupo era comandado pelo delegado aposentado da PF Joel Almeida Lima, amigo de Zuleido.

As investigações da Polícia Federal sobre a máfia das obras públicas mostram que uma quadrilha especializada em grampos clandestinos, que dava sustentação às ações do empresário Zuleido Veras, chegou a espionar a Petrobras na Bahia e a instalar escutas a pedido de um diretor da GDK, que presta serviços à estatal. Relatório que trata sobre as escutas telefônicas diz que o grupo era comandado pelo delegado aposentado da PF Joel Almeida Lima, amigo de Zuleido.

Lima e o sócio Leonardo Dias Dalcom, donos da Investiga Investigações e Perícias, faziam os grampos com a ajuda de Tisciano dos Santos Silva, funcionário da companhia telefônica Oi/Telemar, em Salvador, e outros cinco funcionários da empresa. O grupo fazia interceptações ilegais, levantava dados cadastrais, obtinha extratos telefônicos e tinha acesso a setores da PF.

O relatório sobre o caso, denominado “Evento Interceptação Ilegal”, revela que os agentes da PF descobriram que uma pessoa identificada como Gonçalves procurou o funcionário da Oi, em 5 de abril de 2006, “solicitando que providenciasse o extrato telefônico do terminal (71) 3604-2816 da Petrobrás”. O número é da Refinaria de São Francisco do Conde.

Quando recebe o extrato, Gonçalves reclama que só foram informadas as ligações recebidas pelo ramal e solicita que Tisciano providencie também as ligações efetuadas, conforme mostra diálogo do dia 10 de abril, às 18h58.

No caso da empresa GDK, que no escândalo do mensalão foi acusada por ter dado um jipe Land Rover para o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, os grampos mostram que um diretor pagou por serviços feitos pela quadrilha. Novamente é Gonçalves que aparece como contato dos espiões. Ele procura por Tisciano e diz que precisa de um serviço para a GDK. Segundo se constata, Gonçalves teria sido procurado por uma pessoa chamada Jaison.

Em duas conversas dos dias 24 e 26 de março, Tisciano explica ao amigo todo o procedimento, desde a necessidade de aluguel de um imóvel ao lado do local onde está o telefone fixo a ser interceptado e detalha os custos com computador, CDs, alimentação etc., chegando a um valor de R$ 15 mil por 30 dias de serviço. Eles fecham o negócio por 15 dias, por R$ 10 mil.

Os envolvidos demonstram também preocupação com as denúncias envolvendo a GDK que estavam sendo veiculadas por conta das apurações do mensalão. No dia 28 de março, Tisciano conversa com Gonçalves e este cobra o “investimento” da GDK. O amigo responde que “o bicho está pegando” e cita reportagens.

A GDK nega qualquer relação com os grampos. Nem os relatórios dão pistas sobre qual o alvo das escutas, mas o serviço foi pago. Em 3 de abril, relatório afirma que Tisciano esteve na GDK para entregar nota fiscal relativa aos serviços.

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