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Dólares do PT apreendidos entraram no Brasil ilegalmente

Dólares do PT apreendidos entraram no Brasil ilegalmente

BRASÍLIA - A Polícia Federal suspeita que parte dos US$248,8 mil apreendidos em poder do empresário petista Valdebran Padilha e do advogado Gedimar Passos, que trabalhavam na campanha de reeleição do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou ilegalmente no país. Segundo reportagem do Jornal Nacional de ontem, os números das notas de alguns dos maços de US$10 mil não foram registrados no Banco Central. A polícia teria chegado a esta conclusão a partir de um cruzamento de informações fornecidas pelo Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, com dados do Banco Central brasileiro.

BRASÍLIA – A Polícia Federal suspeita que parte dos US$248,8 mil apreendidos em poder do empresário petista Valdebran Padilha e do advogado Gedimar Passos, que trabalhavam na campanha de reeleição do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou ilegalmente no país. Segundo reportagem do Jornal Nacional de ontem, os números das notas de alguns dos maços de US$10 mil não foram registrados no Banco Central. A polícia teria chegado a esta conclusão a partir de um cruzamento de informações fornecidas pelo Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, com dados do Banco Central brasileiro.

A polícia trabalha com a hipótese de que o dinheiro, emitido pela Casa da Moeda americana este ano, tenha passado por um país vizinho antes de chegar ao Brasil. Pelas informações do Jornal Nacional, os dólares apreendidos foram emitidos em abril nos Estados Unidos e remetidos a um banco de Miami. De lá, o dinheiro teria sido levado para um outro país e, em seguida, trazido para o Brasil, sem passar pelo crivo do Banco Central.

Os dois maços de US$10 mil, em notas de US$100, estavam com a etiqueta do Fed. Com base nestas características, a polícia concluiu que as notas nunca foram usadas. O Departamento de Recuperação de Ativos Financeiros (DRCI) informou que também poderá ajudar no rastreamento dos recursos, caso se confirmem os indícios de que parte do dinheiro tem origem no exterior.

Na frente de investigação interna, a Polícia Federal também pediu que os gerentes de quatro agências dos bancos Bradesco e BankBoston duas em São Paulo e duas no Rio de Janeiro, identifiquem os titulares das contas que fizeram saques expressivos nas vésperas da prisão do empresário petista Valdebran Padilha e do advogado Gedimar Passos, na sexta-feira da semana passada.

Com os dois, a PF apreendeu R$1,1 milhão e US$248,8 mil. Os pedidos de quebra de sigilo de saques em dinheiro nessas agências foram apresentados à Justiça Federal de Cuiabá, responsável pelo inquérito sobre a frustrada compra do um suposto dossiê contra os candidatos do PSDB a presidente da República, Geraldo Alckmin, e ao governo de São Paulo, José Serra.

O trabalho foi facilitado porque, em alguns maços de reais, foram encontradas etiquetas com os números das agências e os nomes dos caixas que fizeram os pagamentos. Para a polícia, estes caixas sabem quem fez os saques e, numa segunda etapa, poderiam colaborar na identificação dos titulares das contas. Mas as investigações não vão parar por aí. Para a polícia é importante também saber quem abasteceu as contas de onde foram sacados os recursos para a compra do dossiê.

“Só assim se chega na origem. Vai demorar um tempinho, mas vamos chegar lá”, disse um delegado que acompanha de perto as investigações. O delegado Diógenes Curado, encarregado das investigações sobre o dossiê, deverá interrogar hoje, em Brasília, os petistas Jorge Lorenzetti, Expedito Afonso Veloso e Oswaldo Bargas, acusados de envolvimento na operação de compra do dossiê. A expectativa do delegado é que pelo menos um deles diga de uma vez por todas de onde saiu o dinheiro.

“Acho que, se quiserem, eles podem colaborar”, disse o delegado. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também entrou no rastreamento do dinheiro que serviria para um grupo de petistas comprar o dossiê produzido pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, o chefe da máfia dos sanguessugas. Técnicos do Coaf fizeram consultas no sistema financeiro sobre suposta movimentação financeira suspeita dos petistas que tiveram os nomes divulgados pelos jornais como prováveis envolvidos no escândalo. Mas nada encontraram até o momento.

A suspeita é que os recursos tenham sido sacados por representantes de empresas ou pessoas ainda não citadas nas investigações. Os técnicos alegam que, para aprofundar a apuração, precisam de parte das informações recolhidas pela PF. Dirigentes do PT de São Paulo disseram ao jornal O Globo que parte do dinheiro teria sido recolhida entre militantes do partido que são candidatos a deputado. Nesta lista estariam pelo menos dois deputados envolvidos no escândalo do mensalão.

A operação de compra do dossiê já provocou a demissão do agora ex-coordenador da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Ricardo Berzoini, e de mais quatro petistas ligados ao presidente. O escândalo veio a público na sexta-feira da semana passada, quando Valdebran Padilha e Gedimar Passos foram presos no Hotel Ibis, perto do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Logo depois, a PF prendeu Luiz Antônio Vedoin e Paulo Roberto Dalcol, tio de Vedoin. Dalcol é acusado de intermediar a venda do suposto dossiê do sobrinho para dirigentes do PT.

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