O empresário Laert José Oliveira de Freitas disse que o presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Danilo Forte, autorizou e acompanhou pagamentos à sua empresa julgados irregulares pela Controladoria Geral da União. Em relatório obtido pela Folha, a CGU já apontou prejuízo de cerca de R$ 1 milhão em um contrato de fevereiro de 2006, assinado sem licitação, com a Engesoftware Consultoria de Sistemas, a empresa de Freitas.
O rombo, porém, pode ser maior porque a Engesoftware foi contratada mais duas vezes pela Funasa, também sem licitação, e recebeu de fevereiro de 2006 a agosto deste ano R$ 16,7 milhões (em valores brutos). Forte, que assumiu a Funasa em maio, solicitou auditorias nos contratos assinados na gestão do ex-presidente Paulo Lustosa, do qual era diretor-executivo. O empresário diz que há uma briga política na Funasa, reduto do PMDB.
Embora Freitas diga não ter ligação com essa briga, a Engesoftware doou em 2006 R$ 100 mil à campanha do senador José Maranhão (PMDB), candidato ao governo da Paraíba e um dos caciques do partido com ingerência na Funasa.
Fundação era dependente de empresa
A assessoria da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) informou que, quando Danilo Forte assumiu a presidência no mês de maio, o órgão estava dependente da Engesoftware Consultoria de Sistemas e, por conta disso, foi mantida a prestação de serviço de informática pela empresa, mesmo sem o contrato. “Quando Danilo Forte assume, a Engesoftware comandava todo o processo dentro da Funasa. Neste momento, não tinha como encerrar o processo. Não poderia parar a Funasa até que se fizesse uma licitação.”