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Juiz ameaça parar jogo por racismo contra Kahê na Alemanha

Juiz ameaça parar jogo por racismo contra Kahê na Alemanha

Para proteger um brasileiro de manifestações racistas, um árbitro ameaçou parar um jogo do Campeonato Alemão. Kahê, artilheiro da Bundesliga com três gols, foi a vítima, e Michael Weiner foi o árbitro que tomou uma atitude inovadora no futebol mundial e já elogiada.

Para proteger um brasileiro de manifestações racistas, um árbitro ameaçou parar um jogo do Campeonato Alemão. Kahê, artilheiro da Bundesliga com três gols, foi a vítima, e Michael Weiner foi o árbitro que tomou uma atitude inovadora no futebol mundial e já elogiada.

Anteontem, o Borussia Mönchengladbach, time do ex-ponte pretano e ex-palmeirense Kahê, enfrentou fora de casa o Aachen. O anfitrião venceu por 4 a 2 a partida, mas perdeu a compostura. Torcedores do time entoaram cânticos racistas para Kahê, jogador que é um dos quatro líderes da tabela de artilheiros da Bundesliga.

Weiner então paralisou a partida e fez uso de alto-falante para avisar aos torcedores presentes ao estádio que, se ouvisse algum novo insulto, encerraria em seguida o jogo.

“A decisão de Weiner foi completamente acertada. Racismo é algo que não pertence a um estádio de futebol. Por isso os árbitros foram instruídos a não tolerar mais manchas como essa”, disse ontem o responsável pela arbitragem na Alemanha, Volker Roth.

O atacante Asamoah, que é negro, foi alvo de manifestações racistas na semana passada em jogo da Copa da Alemanha. Por causa dos insultos ao jogador do Schalke 04, o Hansa Rostock foi multado em 20 mil ainda na última sexta-feira.

Asamoah fez história no futebol alemão ao defender a seleção nacional. Virou uma bandeira contra o racismo no país.

Roth disse que os insultos a Asamoah contribuíram para os incidentes com Kahê e que estão provocando uma reação em cadeia na Alemanha.

“Os torcedores, e não só os árbitros, precisam tomar uma atitude para que um grupo de pessoas não tenha esse comportamento [racista]”, afirmou ele.

A Alemanha acaba de organizar a Copa que mais promoveu campanhas contra o racismo, com jogadores lendo mensagens nos estádios. A Fifa pôs em prática a campanha “Diga não ao racismo”, especialmente após Raymond Domenech, técnico da França, reclamar que torcedores imitaram macacos quando o ônibus que levava a equipe chegou a um estádio –a França levou sua seleção mais negra a uma Copa.

O presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, chegou a sugerir que as equipes cujas torcidas ou cujos jogadores, técnicos e dirigentes cometam atos racistas percam pontos, recebam punições técnicas, e não apenas multa, no caso de comportamento preconceituoso.

“Uma equipe pode perder três pontos, ou seis pontos em caso de reincidência, se houver incidentes racistas em campo. A política entrará em vigor no dia 1º de julho”, disse Blatter às vésperas de iniciar a Copa.

Nos próximos dias, deve sair a punição para o Aachen, mas a hipótese de perda de pontos é pequena. A imprensa alemã explorou bastante o caso do atacante brasileiro, que, quando jogava no Palmeiras ficou conhecido como Shrek, por uma suposta semelhança física com o personagem do desenho animado. Ele levou o apelido para a Europa.

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