Um juiz militar declarou nesta segunda-feira a prisão de Abu Ghraib cenário de crime e ordenou que ela não seja destruída, como havia sido sugerido pelo presidente americano, George W. Bush.
A prisão de Abu Ghraib, localizada perto de Bagdá (capital), foi palco do escândalo envolvendo militares da coalizão, acusados de torturar e abusar dos prisioneiros iraquianos. O caso veio à tona com a divulgação de fotos de iraquianos encapuzados, nus, amarrados e simulando atos sexuais.
O juiz, coronel James Pohl, lançou a ordem durante a audiência do sargento Javal Davis, um dos três acusados que foram levados à corte nesta segunda-feira.
O presidente Bush propôs a destruição de Abu Ghraib e a construção de uma nova prisão para eliminar o legado dos abusos e da tortura cometidos dentro dela.
Os oficiais iraquianos não mostraram interesse pela oferta, e o presidente interino do Iraque, Ghazi al Yawer, afirmou que a destruição da prisão seria uma inútil perda de recursos.
Proposta
No último dia 24, a Casa Branca afirmou, por meio de um comunicado, que os EUA demoliriam a prisão de Abu Ghraib se o governo interino iraquiano permitisse.
Abu Ghraib será substituída por uma nova prisão de segurança máxima financiada pelo governo dos EUA e sua demolição marcará um novo começo do Iraque, informou no comunicado.
“Sob [o governo de] Saddam Hussein, prisões como Abu Ghraib eram símbolos de morte e tortura. Esta mesma prisão se tornou símbolo da desgraçada conduta de poucos soldados americanos que desonraram nosso país e foram indiferentes aos nossos valores”, afirmava o documento.
“A América vai financiar a construção de uma prisão de segurança máxima moderna. Quando a prisão estiver completa, os prisioneiros de Abu Ghraib serão transferidos”.
“Então, com a aprovação do governo iraquiano, nós iremos demolir Abu Ghraib como símbolo do recomeço iraquiano”, acrescentou o comunicado.