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Nepotismo: Tribunais tentam um jeitinho

Nepotismo: Tribunais tentam um jeitinho

Passado quase um mês do prazo estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para parentes de magistrados deixarem os cargos comissionados na Justiça de todo o país, começam a surgir as primeiras tentativas de burlar a resolução antinepotismo editada pelo conselho. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está de olho em dois casos em especial: a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro de alterar a estrutura dos cargos de comissão do órgão, desligando os funcionários de confiança dos gabinetes dos desembargadores, e uma denúncia de troca de favores entre dirigentes de órgãos públicos no Amazonas.

Passado quase um mês do prazo estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para parentes de magistrados deixarem os cargos comissionados na Justiça de todo o país, começam a surgir as primeiras tentativas de burlar a resolução antinepotismo editada pelo conselho. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está de olho em dois casos em especial: a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro de alterar a estrutura dos cargos de comissão do órgão, desligando os funcionários de confiança dos gabinetes dos desembargadores, e uma denúncia de troca de favores entre dirigentes de órgãos públicos no Amazonas.

No caso do Amazonas, de acordo com a OAB, a servidora Fabíola Xavier Desterro e Silva, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), trocou de função com Érica da Silva Pinheiro, do Tribunal de Justiça do Estado, e parente de um desembargador. Segundo a OAB, o conselheiro Aluízio Cruz, do TCE, afirmou que o fato de Érica ser parente de um magistrado não seria obstáculo para ela trabalhar naquele tribunal.

Estima-se que casos como este, chamados de transnepotismo pela OAB, se repitam em outros tribunais do país. Apesar de a resolução editada em outubro passado pelo CNJ vedar o nepotismo cruzado dentro do Judiciário, não há lei que proíba a prática da troca de favores entre os diferentes poderes, como aconteceu no Amazonas. “É por isso que a proposta de emenda constitucional (PEC) que tramita no Congresso, e põe fim ao nepotismo em todos os poderes, é tão importante”, defende o presidente da Comissão de Combate ao Nepotismo da OAB, Vladimir Lourenço. Segundo ele, a PEC engloba todos os poderes, além de proibir a contratação de parentes empregados em empresas terceirizadas. “A PEC é mais ampla, pois o CNJ não tem poder de deliberar sobre os outros poderes. Por isso, ela é essencial”, ressalta.

No caso do Rio de Janeiro, um dos estados que mais mostrou reticências em relação à aplicação da norma antinepotismo, o Tribunal de Justiça aprovou uma resolução a partir da qual assessores e assistentes deixam de estar vinculados diretamente aos gabinetes de desembargadores, e passam a ficar subordinados a um departamento, segundo reportagem do jornal O Globo. Com a nova resolução, fica mais difícil rastrear a presença de parentes de magistrados entre os cargos de comissão do TJ.

Absurdo

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Rodrigo Collaço, chamou a manobra do Tribunal de Justiça carioca de “um absurdo lamentável”. “É uma tentativa quase infantil de burlar a proibição ao nepotismo”, afirmou. Collaço, entretanto, é otimista. Ele diz que, apesar destas tentativas de abrir brechas na lei, em breve todo o país estará respeitando a norma contra o nepotismo. “Essas tentativas de burla estão muito visadas. Uma parte vai terminar por força da lei, outra por pressão social. As pessoas que continuarem a fazer isso serão discriminadas”, afirmou. Procurada pelo Correio ontem, a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio não respondeu às ligações.

A OAB de Sergipe também investiga uma denúncia de transnepotismo no estado. O presidente do órgão, Henri Clay Santos, afirmou ter recebido uma denúncia de troca de emprego de parentes entre o Tribunal de Justiça do Estado e o Tribunal de Contas estadual. A OAB ainda está apurando o caso. Em Brasília, o Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário formou uma comissão para fiscalizar denúncias de burla à resolução antinepotismo. Até ontem, a comissão não havia concluído o trabalho.

É por isso que a proposta de emenda constitucional (PEC) que tramita no Congresso, e põe fim ao nepotismo em todos os poderes, é tão importante , afirma Vladimir Lourenço, presidente da Comissão de Combate ao Nepotismo da OAB

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