Aconteceu nesta quarta-feira o lançamento do livro "Poder e Socialidade – O contexto penitenciário paraibano", escrito pelo jornalista e professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba, Josinaldo Malaquias. O evento, que foi realizado no auditório da Reitoria da UFPB, contou com a presença da desembargadora Fátima Cavalcanti, do secretário da Cidadania e Administração Penitenciária Pedro Adelson, de representantes da Prefeitura Municipal de João Pessoa, além de deputados e personalidades jurídicas.
Malaquias, que também é advogado criminalista, elaborou o livro com base em sua própria Tese de Doutoramento em Sociologia. O texto aborda a questão penitenciária na Paraíba, discutindo a problemática que, de acordo com o professor, vai além do poder público e torna-se uma questão interdisciplinar. "Ela é completamente ineficaz enquanto o crime se organiza a partir da vivência no cárcere", afirma. Ele defende que o combate à violência e a análise do sistema carcerário devem ser vistos dentro de uma ótica antropológica, sociológica e até mesmo psicológica, sendo resolvidos através do somatório de forças sociais.
Segundo o autor, o assunto tratado na obra é relevante para a Paraíba por se tratar de uma temática atual. Josinaldo tenta provar em seu livro que, "sob o signo da tensão, da ameaça e do medo uma cultura – permeada pelo silêncio, pelo segredo e pela desconfiança – emerge no contexto penitenciário paraibano. Essa cultura, a qual damos a designação de cultura carcerária, cria formas de socialidade, de ação e de poder".
Para ele, "duas visões – uma disseminada pela Imprensa e outra resultante da pesquisa de campo em presídios paraibanos – atestam as configurações de uma espécie de poder paralelo, que regula o cotidiano carcerário, no qual organizações são formadas no sentido de, primeiramente, promover seus líderes, os quais serão responsáveis pelas estratégias de sobrevivência dentro do presídio, sobretudo porque a violência maior é praticada entre os próprios presos, sob a complacência das autoridades carcerárias".
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