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TJ do Rio concede liminar para juiz ser tratado por “senhor” ou “doutor”

TJ do Rio concede liminar para juiz ser tratado por “senhor” ou “doutor”

Falta de respeito ou abuso de autoridade? Até que seja julgado o processo movido pelo juiz Antônio Marreiros da Silva Melo Neto, da 6 Vara Cível de São Gonçalo, contra a síndica Jeanette Granato e o Condomínio Luíza Village, no Ingá, em Niterói — onde ele mora — será difícil saber quem tem razão. De um lado está o juiz, que entrou com uma ação por danos morais, pede indenização e quer ser tratado por “senhor” ou “doutor”. De outro, estão os condôminos e os funcionários e até seus advogados, que desde a última sexta-feira, dia 5, por força de outra decisão judicial não podem sequer comentar o assunto para não ter que pagar multa diária de mil reais.

Falta de respeito ou abuso de autoridade? Até que seja julgado o processo movido pelo juiz Antônio Marreiros da Silva Melo Neto, da 6 Vara Cível de São Gonçalo, contra a síndica Jeanette Granato e o Condomínio Luíza Village, no Ingá, em Niterói — onde ele mora — será difícil saber quem tem razão. De um lado está o juiz, que entrou com uma ação por danos morais, pede indenização e quer ser tratado por “senhor” ou “doutor”. De outro, estão os condôminos e os funcionários e até seus advogados, que desde a última sexta-feira, dia 5, por força de outra decisão judicial não podem sequer comentar o assunto para não ter que pagar multa diária de mil reais. A decisão sobre a pendenga caberá à juíza Simone Ramalho, da 1Vara Cível de São Gonçalo. O juiz da 7 Vara Cível, onde tramita o processo, não se sentiu à vontade para julgar o caso.

Desembargador acolheu pedido de juiz

O juiz Antônio Marreiros deu entrada no processo por danos morais no dia 10 de setembro. A causa chegou a ser indeferida liminarmente em primeira instância pela juíza Simone Ramalho, que ainda decidirá sobre o mérito. Mesmo assim, Marreiros recorreu ao Tribunal de Justiça, conseguindo que o desembargador Gilberto Dutra acolhesse seu pedido de ser tratado por “senhor” ou “ doutor”.

Proibidos de falar, os moradores dos 42 apartamentos do condomínio, os seis funcionários — entre porteiros e faxineiros — e até mesmo os advogados mantiveram silêncio total. Enquanto isso, estão recorrendo para poder se manifestar.

Ontem o juiz disse, em entrevista, que tudo não passa de uma briga de condomínio.

— Passei a ser desrespeitado pelos funcionários, que também não atendiam minhas solicitações — afirmou Marreiros, negando prepotência.

A atitude do juiz Marreiros, entretanto, causou indignação no presidente da seccional Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Octávio Gomes, que considerou esdrúxula a liminar concedida.

— Em tese, se inteiramente verídicos os fatos, a ação envergonha o Judiciário porque agride a Constituição Magna, nos seus princípios fundamentais — disse Gomes. — É inacreditável que magistrados, cientes de que todos são iguais perante a lei, tentem impor a terceiros um tratamento especial, como se fossem superiores e melhores, o que expressaria uma discriminação odiosa

OAB vai denunciar o caso à Corregedoria do tribunal

O presidente da OAB-RJ disse ainda que vai pedir providências à Corregedoria de Justiça:

— É um exemplo inédito de arrogância que poderá ter um efeito bumerangue, voltando-se contra a própria Justiça.

A vice-presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio, Andréa Pachá, lamentou o fato:

— Não conheço o processo, mas pronomes de tratamento são uma questão de civilidade e não exercício de poder.

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