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Senado cede imóveis para quem já tem casa

Senado cede imóveis para quem já tem casa

Pelo menos três parlamentares que possuem propriedades em Brasília vivem em apartamentos funcionais enquanto colegas esperam para obter a regalia.

 

Privilégio inclui ter todas as despesas com manutenção pagas. Mesmo sendo dono de uma das mansões mais conhecidas de Brasília, o senador e ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL) pediu ao Senado um dos 72 apartamentos funcionais de luxo da Casa. Collor vive, com a mulher e duas filhas, na Casa da Dinda, mesma residência da época em que comandava o Executivo federal, entre 1990 e1992. O local, no Setor de Mansões do Lago Norte, ficou famoso depois de denúncias de que os jardins, de US$ 2,5 milhões, foram custeados pelo esquema PC Farias, que acabou causando o impeachment.

Além dos custos de manutenção, a permanência do senador em uma residência funcional gera uma despesa extra à Casa, já que não há imóveis para todos os parlamentares, e é pago auxílio-moradia aos que ficam desalojados. O uso de residências funcionais, mesmo com propriedades em Brasília, não é prática exclusiva de Collor. Pelo menos outros dois colegas de Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), usufruem de imóveis funcionais mesmo tendo bens na capital federal.

Apesar das instalações luxuosas, Collor passa mais tempo isolado na Casa da Dinda. Os funcionários são orientados a não falar sobre a rotina do senador para evitar o vazamento de informações. Vizinhos dizem que, diariamente, as filhas do ex-presidente são levadas à escola pela manhã. Quem já entrou na casa repleta de histórias diz que o lugar já não ostenta o luxuoso jardim com cachoeiras.

Na mesma região, Collor é dono de alguns prédios residenciais. Em frente à Casa da Dinda, possui outro imóvel, no qual estaria montando um museu sobre a sua passagem pela Presidência da República. Por meio da assessoria de imprensa, o ex-presidente informou que não comentaria o assunto.

Em nota, o Senado afirmou que o apartamento funcional é um direito dos parlamentares e se negou a responder se há irregularidade em requerer o imóvel mesmo em casos de quem possui imóveis em Brasília. A Casa citou ainda o Decreto n° 980/1993, da Presidência da República, que regulamenta a cessão de residências funcionais. De acordo com o texto, servidores — ou cônjuges — que são donos de imóveis na capital federal não têm direito a apartamento da União. A norma, porém, não cita expressamente o caso de agentes políticos.
Por meio da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o Ministério do Planejamento, que controla as propriedades do governo federal, disse que o Senado é o responsável por administrar os imóveis e não respondeu se há irregularidade nos casos citados pela reportagem.

O que diz a lei


Confira trechos do Decreto 980/1993, da Presidência da República, que regulamenta o uso de imóveis da União:

“Art. 9° É vedada a cessão de uso de imóveis residenciais a servidor quando este, seu cônjuge, companheiro ou companheira amparados por lei:

I – for proprietário, promitente comprador, cessionário ou promitente cessionário de imóvel residencial em Brasília, incluída a hipótese de lote edificado sem averbação de construção”

Amanda Almeida

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