A mesma facilidade encontrada para fraudar uma licitação para ancoramento da plataforma P-22 da Petrobras, em 2003, possibilitou uma quadrilha de empresários e servidores a realizar esquemas ainda mais ousados um ano depois. O Correio mostrou ontem que, segundo a Polícia Federal, oito dias do lançamento de um edital para o serviço na P-22, localizada no litoral fluminense, o grupo criou uma empresa de fachada e ganhou a concorrência. Agora, as investigações apontam que, em 2004, dois dias antes de ser anunciado o vencedor de uma outra licitação para serviços na plataforma P-10, em Angra dos Reis, um funcionário da Petrobras recebeu da Angraporto — a mesma empresa favorecida pelas fraudes em 2003 — cópias do contrato que deveria ser assinado. Além disso, os integrantes da comissão tiraram alguns itens do edital para, nos meses seguintes, serem transformados em aditivos. E o custo de trabalho, que era de R$ 5 milhões, subiu para R$ 7,6 milhões.