O relatório de gestão do ano de 2003 do Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN, transferido pelo governo Lula para o Ministério das Cidades, traz no seu bojo demonstrativos consolidados que não nos permitem deitar a cabeça e dormir tranqüilos com relação à política de trânsito a ser adotada pelo governo federal.
Senão vejamos, de um total de recursos na ordem de R$ 37.583.140,00 (Trinta e sete milhões quinhentos e oitenta e três mil e cento e quarenta reais) utilizados nos diversos programas de trabalhos executados pela autarquia, apenas R$ 553.081,00 (Quinhentos e cinqüenta e três mil e oitenta e um reais) foram destinados a Campanhas Educativas para a prevenção de acidentes de trânsito e R$ 4.422.373,00 (Quatro milhões quatrocentos e vinte e dois mil e trezentos e setenta e três reais) no apoio a projetos intersetoriais de prevenção de acidentes de trânsito, ou seja, pouco de mais de 13,2% por cento do orçamento utilizado pelo DENATRAN foi destinado à única ação capaz de melhorar o trânsito no nosso país que é a Educação de Trânsito.
Enquanto isto a pesada estrutura arcaica e obsoleta dos Sistemas RENAVAM (Registro Nacional de Veículos Automotores) e RENACH (Registro Nacional de Carteiras de Habilitação), importantíssimos na sua filosofia, mas mal geridos pela estrutura ultrapassada do Serviço Nacional de Processamento de Dados – SERPRO e de custo elevado, consumiu desta forma R$ 31.420.539,19 (Trinta e um milhões quatrocentos e vinte mil, quinhentos e trinta e nove reais e dezenove centavos), o que equivale a 83,6% de todos os recursos utilizados.
Mais uma vez os recursos públicos estão indo pelo ralo abaixo, escasseados pela má gestão de administradores incompetentes e sem compromisso com a coisa pública, que adotam soluções corretivas de apagar o fogo, evitando adotar medidas preventivas, corretas e que podem a longo prazo resolver o problema trânsito no país.
Comenta-se muito que um governo petista estaria mais próximo do povo, para o povo e pelo povo, mas as suas ações têm se caracterizado pelo continuísmo de praticas políticas antigas e conhecidas, açodadas por interesses econômicos característicos de governos autoritários e totalitários deixando a população carente de atitudes que demonstrem respeito a melhoria das condições de vida.
Só a boa vontade política de um governo sério, pode mudar esta nossa realidade de dor e sofrimento, pela falta de educação da nossa sociedade seja como pedestres motoristas ou como cidadãos.