Pouco depois da meia-noite de ontem, os acusados de fraudar licitações no Ministério da Saúde deixaram as superintendências da Polícia Federal, em Brasília e em São Paulo, onde estavam presos desde a semana passada. O juiz Cloves Barbosa Siqueira, da 10ª Vara Federal, negou o pedido de prisão preventiva do grupo, o que os colocou em liberdade. Lourenço Rommel Peixoto, Jailes Jabour e Marco Chain serão mantidos na cadeia porque foram os últimos a serem detidos. Ontem, a PF localizou lanchas, mansões, apartamentos e carros importados que pertencem aos suspeitos. Os bens foram indisponibilizados pela Justiça.
Entre eles estão Luiz Cláudio Gomes da Silva, que era homem de confiança do ministro Humberto Costa, e Laerte de Arruda Corrêa Júnior, que esta semana teria tentado sacar R$ 4,5 milhões num banco. O saque foi impedido porque o bloqueio da conta tinha sido ordenado pela Justiça.
O ‘vampiro’ de R$ 7 milhões
Preso há uma semana em Brasília, o empresário Lourenço Rommel Ponte Peixoto, apontado como um dos mentores das fraudes nas compras de hemoderivados do Ministério da Saúde, amealhou um patrimônio avaliado em R$ 7,1 milhões apenas em imóveis no Distrito Federal. São casas e apartamentos nas regiões mais valorizadas de Brasília. Peixoto é investigado por escândalos na Saúde desde o governo Collor.
Casa no Lago Sul vale R$ 2,5 milhões
Somente entre maio e julho do ano passado, Peixoto, que deverá continuar preso, comprou uma mansão no Lago Norte avaliada em R$ 1,7 milhão, um lote de 12 mil metros quadrados no Lago Sul avaliado em R$ 2 milhões e um apartamento de quatro quartos na Asa Sul no valor de R$ 680 mil. Com isso, o empresário, gastou R$ 4,38 milhões em imóveis num período de três meses.
Segundo o presidente da Câmara de Valores Imobiliários, Frederico Attié, apenas a mansão de Rommel Peixoto no Lago Sul, a chamada Península dos Ministros, é avaliada em R$ 2,5 milhões. No quarteirão ao lado das residências oficiais dos presidentes da Câmara e do Senado, a casa tem 805 metros quadrados de área construída “em alto padrão”, segundo o parecer da Câmara de Valores Imobiliários.
O apartamento na Asa Sul foi escriturado em julho de 2003 por R$ 500 mil. Hoje, pode valer até R$ 680 mil. Peixoto tem outro apartamento na Asa Norte, avaliado em R$ 250 mil.
Investigado no inquérito sobre o esquema PC (Paulo Cesar Farias, tesoureiro de campanha do ex-presidente Collor) na extinta Central de Medicamentos (Ceme), Peixoto comprou em 18 de junho de 2003 uma casa no setor de mansões do Lago Norte. Construída em madeira, com piscina e um ancoradouro para barcos, a mansão de Rommel Peixoto fica na beira do Lago Paranoá.