A juíza Renata Coelho Okida, da 4ª Vara da Fazenda Pública, determinou nesta terça-feira a expedição de uma carta rogatória para Londres, solicitando o bloqueio de movimentação bancária da empresa Durant International Corporation no banco UBS de Londres.
A empresa pertenceria a Paulo Maluf, ex-prefeito de SP (1993-1996). A Justiça também solicita envio de documentos ao Brasil de operações financeiras realizadas em Londres por Maluf e seus quatro filhos.
Paulo Maluf, 70, nega ter contas no exterior (leia mais abaixo).
A determinação da juíza foi feita com base num pedido do Ministério Público de São Paulo. Na semana passada, a promotoria divulgou uma carta manuscrita na qual Maluf supostamente doa o saldo da conta para seus filhos (Flávio, Otávio, Lígia e Lina).
A juíza também enviou uma segunda carta rogatória pedindo informações sobre uma conta em nome da esposa do ex-prefeito, Sylvia Maluf, em uma instituição financeira não identificada em Luxemburgo. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) obteve a informação e detectou a existência dessa conta cerca de 45 dias atrás.
“São mais contas [de Paulo Maluf] que estamos rastreando [no exterior]” , disse o promotor Silvio Marques, responsável pela investigação.
Maluf nega
Nesta terça-feira, Maluf convocou uma entrevista para exibir dois laudos de peritos que indicam que a carta não foi produzida por ele. O trabalho pericial foi feito, a pedido do ex-prefeito, pelo instituto Del Picchia e pelo ex-presidente da Associação dos Peritos Judiciais do Estado professor Sebastião Cinelli.
Segundo o parecer de Cinelli, o texto que compõe a carta “não emanou do próprio punho de Paulo Maluf”. O laudo do Instituto Del Picchia afirma o mesmo, porém diz que não é possível determinar se a assinatura teria sido montada ou não.
No documento, o Instituto apresenta assinaturas de outras personalidades que teriam que sido falsificadas. Entre elas as do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Costa e Silva, o governador Mário Covas e o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta. Esta extraída de uma das montagens do dossiê Caimã.
A assinatura de FHC, por exemplo, foi tirada de uma nota de R$ 100, quando este foi ministro da Fazenda no governo Itamar Franco (92-94).
“Nenhum político deste país fez algo tão transparente para provar que não tem culpa nenhuma”, disse Maluf.
O ex-prefeito voltou a afirmar que as acusações contra ele têm fins eleitorais. Ele é pré-candidato do PP (Partido Progressista) à Prefeitura de São Paulo.
“Essas coisas sempre acontecem em véspera de campanha eleitoral. Em 1998, foi o frangogate e eu perdi a eleição. Em 2000, foi a história da filha. Ou seja, não tem campanha eleitoral que não inventam uma coisa”.
O promotor Silvio Marques afirmou que a carta é verídica, não foi forjada e diz que aguarda a perícia solicitada pelo Ministério Publico. “Achamos que a letra não é dele, mas assinatura não temos dúvida”, disse.