O Tribunal de Justiça de São Paulo deverá julgar hoje o pedido de prisão dos seis empresários de Santo André, acusados de participar de uma suposta rede de cobrança de propina na prefeitura petista da cidade.
Na última terça-feira, quando o julgamento começou, dois dos três desembargadores da 3ª Câmara Criminal do TJ votaram pela prisão (Segurado Braz e Oliveira Ribeiro) e um pediu vista do caso (Walter Guilherme). Hoje, será uma nova votação e, mesmo quem já se manifestou, poderá rever o voto.
Entre os réus está Sérgio Gomes da Silva, preso desde dezembro do ano passado sob a acusação de mandar assassinar o prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT). Os casos são distintos (um trata da morte e outro da propina) e, se a prisão for decretada, ele acumulará os dois mandados.
Também são réus no caso da propina o ex-secretário municipal e vereador Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT) e o empresário Ronan Maria Pinto, dono de um dos maiores grupos de transporte urbano do Estado de São Paulo. Os demais são pessoas ligadas a Ronan (Irineu Bianco, Humberto de Castro e Luiz de Freitas Jr).
Segundo a Promotoria Criminal de Santo André, autor da denúncia, os acusados, que tinham trânsito livre na Prefeitura de Santo André, cobravam propina de empresários que desejavam contratar com o poder público. Parte do dinheiro, segundo testemunhas, financiou campanhas do PT, o que o partido nega.
Na ação sobre a morte de Daniel, a Promotoria afirmou que ele foi morto ao tentar conter o esquema de cobrança de propina.
Rosângela Gabrilli disse que a empresa dela pagou cerca de R$ 2 milhões em propina para o grupo. A Promotoria localizou extratos bancários do pai da empresária em favor de Gomes da Silva. Apesar do pedido de prisão, a denúncia da Promotoria ainda não foi aceita pela Justiça.
Em entrevistas anteriores, os acusados disseram não terem participado de qualquer esquema de propina na Prefeitura de Santo André. A Folha procurou ontem o vereador petista e os empresários Ronan e Castro.
Os respectivos assessores e secretários informaram que eles irão se manifestar apenas após o julgamento dos desembargadores.